A expressão corporal na dança

Vivenciamos pouco nosso corpo em movimento de uma forma consciente sobre os significados que cada gesto cotidiano pode carregar.

 Mas se observássemos atentamente, diríamos que cada movimento é carregado de valor, de sentido, algo que vem cheio de afetividade, que nos liga a um estado mais profundo do que a consciência cotidiana poderia observar.

 A surpresa é que o corpo, mesmo em estado cotidiano, não deixa nunca de estar carregado de sentido.

 O movimento é a expressão particular de cada pessoa, revelando involuntariamente, suas mais íntimas características psíquicas.

 Ele traz consigo, invariavelmente, aspectos conscientes e inconscientes, culturais, sociais, afetivos, simbólicos e assimila informações.

 O corpo, ao contrário do clichê, nome de livro, não só fala. O corpo também tem memória, escuta e elabora, pensa, simboliza, identifica sentidos, aquilo que de alguma forma tem valor para o indivíduo.

 Considerando a experiência sensível do movimento uma oportunidade para a elaboração interna e dessa elaboração o desenvolvimento do conhecimento das próprias habilidades, de seu repertório expressivo e, simultaneamente, integração dos processos psíquicos ainda não conscientes; pode-se destacar que o corpo compreende à sua maneira como integrar e expressar esses processos.

 Ele tem uma linguagem própria que foge de códigos pré-estabelecidos ou racionais.

 Carl Gustav Jung vai nos falar das Terapias Expressivas e dentre elas da dança que tem como princípio essencial a autonomia do indivíduo em investigar-se em movimento de tal forma que identifique a si mesmo, ou seja: descubra seu corpo e seus aspectos sensíveis e simbólicos.

 No trabalho com a dança pode-se identificar que, articular o corpo, às emoções, às imagens simbólicas, ao mesmo tempo em que o movimento é buscado em sua forma mais crua, ele, o corpo, transborda elementos que se alimentam mutuamente.

 Pois o enlace entre a terapia e a dança oportuniza a utilização  dos movimentos corporais como um processo de integração psíquica.

 Busca reverter a situação dicotômica entre mente e corpo, trabalhando a imagem corpórea do indivíduo em sua totalidade, considerando o sentimento como motivador, a mente como organizadora e o corpo como reflexo de diferentes emoções e sensações.

 Sendo então a arte, uma forma de tornar mais acessível e consciente esse processo de percepção de elementos não facilmente verbalizáveis e não cognitivos; forma de conhecimento mais complexo e total por ser vivencial.

 Os conteúdos simbólicos podem, pela vivência poética da dança, ser requisitados para um diálogo sincero de aproximação, de acolhimento e de transformação. O resultado é: equilíbrio emocional, equilíbrio corporal.

 Uma vivência sensível permite acessar um universo mítico e arcaico no movimento que se torna expressivo e integrativo em si mesmo.

 Dá sentido e integra no indivíduo aqueles aspectos sombrios escondidos às sete chaves, mas que, por ser vivencial, só a pessoa em processo descobre, não é necessário verbalizar, aqui, na maioria das vezes, as palavras são dispensáveis, mas a escuta deve fazer parte para um ambiente acolhedor.

 A expressão corporal tem efeito terapêutico provocando sensibilização, reações questionamentos nos praticantes, pois os movimentos autênticos do praticante são a comunicação entre o terapeuta e o paciente.

 A observação destes movimentos e sua significação são o objeto principal do processo terapêutico.

 Todos nós temos nossas identificações simbólicas com algum aspecto comum à humanidade, esses momentos de identificação não são mensuráveis. A arte possibilita esses momentos de encontro.

 Ainda rara como terapia no Brasil, a dança está apresentando resultados surpreendentes na área de saúde mental, sua expansão está tardia, já que desde os primórdios da humanidade é através do movimento (corpo expressivo) que o ser humano percebe, identifica, explora e relaciona-se com o mundo, com o cosmos, com o outro e consigo mesmo.

 O trabalho conjunto da terapia com a dança não deve ser visto apenas como uma forma de tratamento para pessoas doentes, mas também tem se revelado como uma terapia de prevenção para todas as idades e aplicável em diferentes processos de intervenção que busquem o crescimento pessoal, autoestima e melhora de qualidade de vida.

Thais Martins Santos

Psicologa da Clinlife  

CRP 04 24 638

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