A importância da Enfermagem na Saúde do Idoso

O envelhecimento progressivo da população nos países em desenvolvimento está ocorrendo de forma acelerada, gerando novos desafios e exigências ao sistema de saúde, como também para a sociedade, que precisa ser capaz de promover o envelhecimento saudável e ativo.

Diante disso, foi aprovada em 2006 a Política Nacional da Pessoa Idosa (PNPI), que tem como propósito recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos idosos, através do desenvolvimento de ações de saúde individuais e coletivas, por meio da avaliação e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.

A avaliação interdisciplinar permite uma assistência sistematizada onde se identificam os problemas dos idosos de maneira individualizada, de forma a executar intervenções diretamente relacionadas com o tipo e grau de dependência, considerando sempre a sua participação e autonomia.

Os profissionais da saúde, em especial os enfermeiros, devem abordar o idoso considerando todas as especificidades decorrentes do envelhecimento, pois esta faixa etária, tem como principal característica, a perda gradual da capacidade vital, favorecendo uma instalação muito rápida dos processos patológicos.

A fragilidade da saúde do idoso representa um importante desafio para os profissionais, e seu desenvolvimento é compreendido como decorrente da interação de fatores biológicos, psicológicos, cognitivos e sociais, ao longo da vida, e com potencial para prevenção, identificação e tratamento dos sintomas, tais como fraqueza, exaustão, confusão, alterações comportamentais, da memória e do humor, diminuição da atividade física, perda de peso involuntária, diminuição da velocidade da marcha e do equilíbrio, dentre outros.

Nesse contexto, a saúde do idoso precisa ser compreendida como prioridade, uma vez que ele demanda maior necessidade de cuidados, maior suporte familiar e social, tendo como objetivo a capacitação das famílias para desenvolverem o cuidado de forma efetiva, diminuindo os índices de institucionalização e hospitalização, melhorando assim a qualidade de vida, da saúde mental e o apoio social a esses idosos, permitindo uma longevidade saudável.

Os cuidados para uma pessoa idosa devem visar a manutenção do seu estado de saúde, aumentando a expectativa de vida ativa, independência funcional e autonomia. Assim, o enfermeiro atua, “ajudando em cuidados para que os idosos mantenham e alcancem o seu máximo potencial” (Bahr, 1981).

A atenção da enfermagem está voltada para a PROMOÇÃO DA SAÚDE, promovendo programas de educação para a adoção de estilos de vida saudáveis, relacionados com a alimentação equilibrada, controlo do peso, exercício físico, períodos de repouso e sono, uso de medicamentos e outras substâncias e minimização de danos, de modo a garantir ao idoso a permanência no meio em que vive, exercendo, se possível, de forma independente as suas funções.

A seguir, são funções do profissional da enfermagem:

Identificar as alterações comportamentais e intervir criando rotinas, com precauções de segurança, adaptando o ambiente, promovendo exercícios de estimulação cognitiva, etc.

Orientar sobre a prestação de cuidados relacionados à higiene, alimentação, hidratação, mobilidade, eliminação, incentivando o autocuidado, assim como lidar com a dependência nas tarefas domésticas, uso de transportes, etc.

Promover a autoestima, dando reforços positivos e preservando, sempre, a sua dignidade.

Realizar o acompanhamento farmacoterapêutico do paciente idoso para a administração correta dos medicamentos no domicílio, favorecendo o esclarecimento de dúvidas, evitando a não adesão e proporcionando maior efetividade na aplicação de medidas terapêuticas.

Na prática, a importância do enfermeiro está ligada ao processo de educação para a realização do autocuidado, implementando a comunicação do paciente e a verbalização dos seus problemas. O enfermeiro pode ser identificado como um elemento de confiança no compartilhamento dos problemas e questões de ordem física, social, emocional e familiar.

Na maioria das vezes, as pessoas idosas esperam da enfermagem, predominantemente ações não técnicas; desejam não só esclarecimentos para suas dúvidas, mas, também, de alguém que amenize seus anseios.

Entende-se que o idoso tem como necessidade receber uma assistência e um cuidado especial. Porém, aos olhos deles, a relação profissional não deve estar focada somente na questão biológica (como tratamento da doença ou alívio dos sintomas), embora isso faça parte de sua atenção. Mas ser principalmente uma pessoa capaz de acolher, em uma relação humanizada, de compreensão e confiança, havendo assim uma valorização interpessoal, tendo por referência a cultura dos idosos e a participação deste nas decisões a serem tomadas.

Tarliane Melo – Enfermeira

Coren MG 492525

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