ALIMENTOS X TRIGLICERÍDES

 

O que aumenta a taxa de TRIGLICERÍDES?

Devemos pensar em desequilíbrio entre a ingestão e metabolização de glicose, podendo ser resultado da ingestão excessiva de glicose (carboidratos) ou da ineficiência na ação da insulina.

Diversos nutrientes são importantes para melhorar a ação da insulina, como também melhorar outros fatores que causam ou agravam a resistência à insulina, como por exemplo, a inflamação.

Diante disso, devemos pensar no tratamento de forma integral, não havendo apenas um ou dois alimentos “milagrosos”. O que já está comprovado para reduzir as taxas de triglicerídeos, como também para prevenir doenças cardíacas é: reduzir consumo de gorduras saturadas e de carboidratos simples, aumentar consumo de peixes e linhaça (devido ao conteúdo de ômega-3) e tratar a resistência à insulina, através de carboidratos de boa qualidade e em quantidade adequada e frutas, verduras e legumes em abundância, de forma a garantir os micronutrientes necessários.

Recentes reportagens indicaram diversos alimentos benéficos para controlar as taxas de triglicerídeos. Segundo esses dados, que não pode faltar na dieta é: salmão, farinha de feijão branco, limão, berinjela e nozes.

Mas será que todos esses alimentos são realmente benéficos para o controle das taxas de triglicerídeos? Vamos analisar um a um:

– SALMÃO: está incluído na lista por ser fonte de ômega-3. De fato, o consumo de ômega-3 mostra muitos benefícios para o controle das taxas desse tipo de gordura. Isso ocorre porque esse ácido graxo aumenta a remoção dos triglicerídeos, se mostrando muito eficaz no tratamento de hipertrigliceridemia. Porém, o salmão, como qualquer outro peixe de médio e grande porte, possui contaminação por mercúrio, um metal tóxico para nosso organismo. Além disso, grande parte do salmão disponível para o consumo no Brasil é o de cativeiro, e não o selvagem que consome as algas presentes no fundo do mar, podendo apresentar menor quantidade de ômega-3. Para substituí-lo, uma ótima opção é a sardinha, que além de ser um peixe de tamanho pequeno, com menor risco de contaminação por mercúrio, tem quantidades de ômega-3 similares às do salmão.

– FARINHA DE FEIJÃO BRANCO: foi incluída na lista por ter em sua composição a faseolamina, que é uma glicoproteína que impede a absorção de aproximadamente 15% dos carboidratos consumidos. Sua ação é inibir a enzima responsável pela digestão do amido, conhecida como alfa-amilase. Porém, como a farinha de feijão branco é preparada a partir do feijão cru, não há eliminação da lectina presente no grão. A lectina é um fator antinutricional que causa microlesões no intestino, e que pode ser inativada, pelo menos em grande parte, fazendo-se o processamento térmico do feijão. Portanto, a faseolamina apresenta potencial para melhorar as taxas de triglicerídeos. Mas o consumo de feijão cru é prejudicial à saúde do intestino.

– LIMÃO: o limão é citado por seu conteúdo de polifenóis com ação antioxidante. O ascorbato (forma ionizada da vitamina C), a hesperidina e outros flavonoides são os principais responsáveis pelo poder antioxidante do limão e é justamente esse poder que confere benefícios no controle das taxas de triglicerídeos. Entretanto, alimentos cítricos possuem uma substância chamada octopamina, que pode causar sintomas como dor de cabeça em pessoas sensíveis. Além disso, podemos encontrar a vitamina C e os outros flavonoides presentes no limão em outros alimentos que não sejam cítricos, como a goiaba e a acerola.

– BERINJELA: é citada pelo seu poder adstringente, ou seja, funcionar como detergente das gorduras ingeridas, diminuindo sua absorção. Sabe-se que a berinjela é rica em compostos fitoquímicos que também atuam como antioxidantes, podendo, por este motivo, auxiliar no controle do perfil lipídico de uma maneira geral. Dessa forma, não possui ação comprovada isoladamente na redução das taxas de triglicerídeos, atuando apenas como fonte de nutrientes importantes, assim como outros vegetais.

– NOZES: possuem atividades anti-inflamatórias e antioxidantes. As nozes, assim como outras oleaginosas, exercem vários efeitos benéficos para o controle das taxas de gordura no organismo. Além do poder antioxidante, são ricas em fibras, que diminuem a absorção de carboidratos e outros nutrientes que em excesso, podem aumentar as taxas de triglicerídeos no sangue; são ricas em fitosteróis, exercendo, portanto, papel no controle do colesterol e cortisol (hormônio aumentado em situações de estresse); e ricas no aminoácido arginina, que tem ação vasodilatadora. Portanto, seu consumo se mostra interessante no controle não só dos triglicerídeos, como também exerce outros benefícios para a saúde.

Mariana Andrade

Nutricionista Clinlife

CRN9 – 5237

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