As emoções também precisam ser digeridas

Quando não se consegue expressar através da linguagem verbal, o corpo necessita encontrar outra forma de expressar o discurso que não cabe mais guardado no peito, apresentando assim em si o discurso.

Tendo essa consciência, uma pergunta torna-se inevitável no contexto. Que é a seguinte: Como você se comporta diante de situações de intensa demanda emocional no cotidiano?

 É bem muito comum ouvir as seguintes:

Engole o choro. Engole sapo. Não diga, não quero saber. Cala a boca, cala o peito, cale-se!

 

Mas o corpo fala, e por vezes chega até a gritar.  Falam os dedos batendo na mesa, falam os dentes apertados, rangendo. Falam as pernas e os pés inquietos na cama. Falam os olhos tristonhos, e por vezes perdidos no horizonte. Fala dor de cabeça, no peito e na alma. Fala gastrite, psoríase, fala ansiedade, fala memória perdida. Fala o corpo curvado, fala o nó na garganta que quase nos asfixia. Fala angústia, fala falta de ar. Fala insônia, fala sono demasiado.

O ser humano é sistêmico, biopsicossocial, não existindo na prática separação entre mente e corpo. Assim sendo, processos físicos e processos mentais estão intimamente ligados e qualquer teoria que desconsidere esses elementos é vista pela ciência como reducionista e dificilmente terá uma conduta transformadora para a qualidade de vida.

É impossível permanecer no palco da vida sem representar uma diversidade imensa de papéis, que incluem também personagens que passam por situações de tensão ou até mesmo drama.

Mágoa, tristeza, dor, raiva, são sentimentos que nos atravessam sem pedir permissão.  Ao atuarmos nesses momentos em que a dor se faz presente, mastigamos as emoções, mas nem sempre as digerimos de maneira satisfatória.

Emoções engolidas que não foram digeridas são mais nocivas do que imaginamos.  E a gente acaba engolindo, e essa ação tem os mais diversos efeitos sobre o corpo podendo começar no estômago, percorre a garganta, o peito, e se deixarmos, calará a boca, mas o preço disso muitas vezes será a perda da paz por uma vida inteira.

E aí, cedo ou tarde, toda a emoção transformada em dor por não ter passado pelo processo de elaboração se manifestará, regurgitando o mal resolvido.

É preciso coragem para se fazer falar. Emoção amordaçada nos faz refém dela. Mágoa não entendida destrói a fé nas pessoas. Raiva carregada, pesada, transita ardente pelas costas.

Freud afirmava que: “a ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como são umas poucas palavras boas”. É isso, tem hora que o sentimento pede pra ser liberto, expresso. Tudo que ele quer é ser transformado pela palavra ou pela via que lhe cabe melhor. Expressar tranquiliza-a-dor. Dor não é pra sentir pra sempre. Dor é vírgula.

Thais Martins  Santos

CRP 04/24638

Psicóloga

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