Beleza: Uma questão de auto-imagem e imagem

 

“Beleza” é um conceito complexo, variável no espaço, no tempo e peculiar a determinada cultura. No mesmo momento temporal, os valores estéticos da cultura ocidental e de uma tribo africana são diferentes. O “belo” aqui pode ser o “feio” lá.

Em nossa sociedade, onde vivemos a cultura da aparência, a beleza adquire conotação de aceitação de não rejeição. Não ser bela equivale a ser rejeitada. A busca da beleza é também busca de aceitação. Pessoas atraentes são mais valorizadas, mais requisitadas. A pessoa se esforça para ser aprovada e para obter a habilidade que considera mais importante. A beleza é uma delas e a mais valorizada, inclusive como critério de inclusão. Quando uma pessoa pergunta a outra  se é bonita está solicitando sua aprovação.

Mas a imagem é apenas uma parte da história, pois é a auto-imagem que fará com que a pessoa se aproprie desta imagem que está sendo construída.

A imagem que a pessoa tem de si pode não ser exata, mas quanto mais real essa imagem maior facilidade terá de se comportar diante da vida. Pois ela vai ser a base de construção da auto-imagem e quanto mais a pessoa gostar de sua auto-imagem maior será sua auto-estima.
Quando não obtém êxito na construção de uma auto-imagem a pessoa pode generalizar essa inadequação para outras áreas de sua vida. A avaliação que fizer de si, suas crenças a respeito, determinarão seu comportamento.
Pessoas que se consideram feias procedem como tal, mesmo se consideradas bonitas por outras. É elevadíssimo o número de mulheres que se vêm feias!

Na busca por um visual reconhecido socialmente é necessário não só pensar na mudança da  imagem, mas também trabalhar e redefinir  a auto-imagem, pois se houverem “vieses”, lentes emocionais escuras, processos de ansiedade entre o indivíduo e sua imagem, teremos uma distorção da percepção da mesma. Como se, ao nos observarmos diante do espelho, existisse entre nós e o mesmo “lentes deformantes”. Se ficarmos corrigindo somente o que supomos ser “uma imagem feia” e não questionarmos a avaliação que fazemos dela, fatalmente continuaremos a percebê-la “deformada”. O erro não está na imagem, mas sim em como a vemos.

Muitas pessoas trabalham a imagem, mas esquecem ou não tem a oportunidade de trabalhar a auto-imagem que é a forma como se percebe. A auto-imagem pode ser definida como a visão que temos de nós mesmos, o nosso “retrato mental” baseado em experiências passadas, vivências e estímulos presentes e expectativas futuras. Inclui a forma, o tamanho, as proporções do nosso corpo, nossos sentimentos em relação a ele e suas partes segundo nossa avaliação. A auto-imagem é mutável por fatores emocionais, sentimentos, sensações internas, por estimulação cultural, moda, mídia e outros.

Vivemos a era da valorização da imagem e a mulher contemporânea busca a beleza com avidez. Se a estética é basicamente uma intervenção na imagem, a percepção e a decodificação do valor estético se dá ao nível de como a própria imagem é percebida e processada.

Vários fatores podem fazer com que o individuo avalie negativamente a própria imagem, como baixa auto-estima, sentimentos de inferioridade, ansiedade, depressão, estresse, insegurança e outros fatores psicológicos.

Uma auto-imagem potencializa a beleza e a saúde. Mulheres que se avaliam como belas, mesmo sem preencherem as características de um “padrão”, apresentam auto-estima e qualidade de vida superior àquelas que são mais atraentes, mas que não se vêm como tal.

Então o que significa estar bonita? Aqui entra a “produção”, os cuidados pessoais, alimentação, exercício físico, repouso e outros fatores que potencializam a qualidade de vida ou ainda que enfatizam os diferenciais de cada pessoa, aquilo que as tornam diferentes, únicas.

Mas tudo isso não tem o poder de mudança se a mulher não SE SENTIR bonita. Aquela sensação intima de segurança em relação a si mesma, a consciência da eficácia individual ou seja, de AUTO-ESTIMA adequada. O usufruto de ser e estar bonita, que nada tem a ver com convencimento.

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