CARINHO PESA NA BALANÇA

Quando um ser humano nasce a primeira forma de comunicação que ele estabelece com o mundo é a partir dos movimentos de seu corpo.

Através dos sinais corporais somos capazes de informar ao outro e a nós mesmos  como estamos ou mesmo se necessitamos de algo!

Perceber este algo que não é apenas de  ordem biológica mas também da esfera das demandas afetivas tais  como atenção e carinho é  que possibilita a nossa relação conosco mesmo e com os outros.

Quando  crianças, não temos o menor constrangimento em manifestar o que sentimos. Tanto os sentimentos que são bons quanto os não são tão gostosos.

Se estamos precisando de carinho, simplesmente vamos nos aninhando no colo de quem mais precisamos e gostamos. Pode ser através de um sorriso, de um afago, um abraço ou até através do choro. Fazemos beicinho, birra, mas manifestamos incondicionalmente o que queremos sem muitas explicações.

O mais interessante é que é perfeitamente compreendido apesar de não ter sido necessário  uma única palavra. O corpo, os olhos, os trejeitos simbolizaram um desejo, uma vontade. O desejo da alma foi falado através do corpo…

À medida que vamos crescendo aprendemos e compreendemos que existem palavras e que elas são a forma de comunicação mais usada pelo meio social em que estamos inseridos. Então começamos uma comunicação através destes símbolos na crença de que seremos assim  melhor entendidos.

Das palavras vêem as frases onde formulamos uma idéia completa daquilo que queremos e sentimos. É um desenvolvimento natural e necessário.  Entretanto quanto mais palavras dominamos, quanto mais nos tornamos articulados e com um vocabulário mais rico, mais também nos afastamos do que sentimos e tentamos engessar a comunicação que o corpo permite  principalmente se o  assunto é um pedido de carinho, de colo…

Geralmente temos um certo constrangimento em dizer de forma  clara e objetiva o que queremos, pois somos adultos e temos que falar, dizer palavras para que sejamos entendidos. Pedir colo, carinho é sinal de uma certa fraqueza emocional, um certo desequilíbrio.

Comumente fica melhor formular uma frase inteligente como “estou muito estressado, ansioso ou deprimido”. É mais elegante, sensato e globalizado. Politicamente correto.

Mas só que dessa forma vamos nos perdendo e os nossos sentimento vão se misturando e se confundindo.

E uma sensação de mal estar e de vazio assola o indivíduo. Parece que temos um buraco no lugar da barriga que precisa ser preenchido na tentativa de amenizar o mal estar que está instalado.

E é neste momento que o alimento acaba por ser uma opção para aquele mal estar que é manifesto no corpo e que não cabe nas palavras.

Mas como o que se precisa não é de comida a sensação  de bem estar logo cai por terra e uma nova ingesta de  alimento se faz necessária formando assim um circulo que tem como resultado o aumento de peso. 

E é exatamente este corpo que mais uma vez vai gritar para contar que algo não anda bem!

Mas mesmo assim insistimos em não ouvir o comunicado do corpo nos escondendo atrás  daquelas velhas desculpas: “A minha vida já é tão cheia de a fazer e obrigações para  eu ainda  ficar tendo de me preocupar com o que comer!” Mas também todo mundo está mais gordinho por causa do inverno, etc.”

Pois bem, mas nem todas as pessoas comem e nem estão  acima do peso!

Será que o seu ganho de peso diz apenas de uma alimentação desequilibrada, ou será que seu corpo está gritando tentando lhe contar que algo não vai como deveria e você não está conseguindo ouvir?

É preciso olhar para dentro para poder nomear o que realmente se está sentindo!

Mas para isso é importante se permitir sentir. Não se esconder atrás da comida para tentar amenizar os incomodo que se sente. Uma boa estratégia para isso talvez seja se lembrar  de quando éramos crianças e sabíamos falar de nossas necessidade sem pensar que éramos fracos ou qualquer outra coisa parecido com isso. Porque apesar de não falarmos claramente  das necessidades afetivas  elas não deixam de existir, apenas ficam legadas a segundo plano. E assim a comida acaba sendo uma forma de satisfação de mais fácil acesso. Dessa forma acabamos por buscar a satisfação em  latas de biscoito ou mesmo em uma barras de chocolate na esperança que na próxima mordida estejamos nos sentindo melhores sem assim ter que expor as fragilidades que nos humaniza  aos olhares que não se sabe como reagirão.    

É por essas e por outras que um carinho é capaz de pesar na balança ajudando a diminuir os dígitos, pois o alimento passa a ocupar apenas o papel que lhe cabe não sendo a única forma de prazer que o homem pode ter.

A vida não precisa ter apenas sabor, ela pode ter cor  e movimento!

Será que você já abraçou ou foi abraçado hoje?

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