Dedicação e bondade têm dose certa.

Dedicação e bondade têm dose certa. Ou se transformam em compulsão e sacrifício.

Responda depressa: você se esforça mais em agradar aos outros do que a você mesma? Nunca acha que merece os elogios e cumprimentos que recebe? E se recrimina por gastar dinheiro consigo própria- principalmente quando se trata de diversão ou com bens considerados supérfluos?

Conferiu? Se a resposta é sim, cuidado: ao pretender algo perfeitamente legitimo e altamente elogiável, você poderá estar montando uma armadilha para você mesma e para os seus entes queridos. Como tudo na vida, dedicação e generosidade pedem equilíbrio para não se transformarem em compulsão e sacrifício. Isto é, infelicidade para quem dá e também para quem recebe.

Por que tanto sacrifício? O que há por trás disso? ”Apenas medo de não ser amada”. Por trás de toda generosidade compulsiva, há alguém que não aprendeu a se amar direito e que precisa exercer controle sobre as situações  para “ consertar” o que não vai bem.

Aprendemos a gostar de nós mesmos na infância, porque nossos pais demonstram o afeto que tem pelos filhos. Essa certeza nos fornece a segurança de que se precisa. Quando isso não ocorre, isto é, quando não reconhecemos o amor refletido no espelho dos olhos paternos, a auto imagem fica distorcida, negativa, e logo descobrimos que a maneira de suprir tal falta de aprovação e estima é sermos pessoas boazinhas ou generosas.

Ao fazer sempre o que o outro quer, quem cede se perde cada vez mais de si mesmo. Já não sabe onde está sua vontade, suas preferências, e passa o tempo todo tentando evitar brigas ao invés de viver a vida. Torna-se apático, triste, ansioso, tenta agradar o tempo todo para evitar desentendimentos. E se frustra. Mas ser generoso com o outro desta forma, anulando sua vontade, você não estará sendo extremamente egoísta consigo mesmo?

Antes de tudo é preciso entender que fazer a vontade do outro esperando obter um retorno que supra suas necessidades de carinho, consideração e reconhecimento, não é uma atitude generosa, é apenas uma tentativa de obter alimento afetivo. E é preciso compreender também a necessidade de colocar limites em si mesmo. Dizer um basta para suas atitudes repetitivas é uma boa forma de mudar o foco, de colocar o holofote em você, de fazer com que você se torne o personagem principal de sua vida.

É preciso entender que você está aparelhado para suprir suas antigas necessidades de afeto e atenção. Como esse comportamento foi forjado desde a infância, existe uma criança faminta que acredita que só poderá obter esse alimento afetivo a partir do outro, quando na verdade é você mesmo,  e só você , que poderá nutri-la.

Se ficar atento, perceberá que a sensação emocional que tem quando alguém grita com você, por exemplo, é idêntica à que tinha quando o pai ou a mãe gritavam. Por aí você pode perceber que é “sua criança” que tem medo, e não você. Fazer o exercício de deixá-la sentir-se segura do afeto que você tem por ela é um bom começo para que você mesmo sinta-se seguro de que é um gerador de atenção a você. Dizer sim a você mesmo não é ser egoísta com o outro, é ser generoso consigo. Se você se satisfizer, obterá do outro o respeito que tanto procura, pois estará se respeitando.

Experimente:

  • Não ir a lugares que não lhe dão prazer;
  • Vestir as roupas que você gosta;
  • Dizer não sem medo de brigar;
  • Liberar o parceiro para fazer o que ele quer sem a sua companhia;
  • Ser honesto com seus desejos e sentimentos;
  • Negociar ao invés de ceder sempre;
  • Não criar expectativas nas atitudes do outro;
  • Fazer acordos de comportamento antes de sair para um passeio ou uma viagem;
  • Fazer a sua comida predileta;
  • Não ceder a provocações. Um bom “truque” é sair de cena, indo ao banheiro, por exemplo. Isso dá tempo do outro também esfriar a cabeça;
  • Ficar ligado nos seus desconfortos físicos, que irão sinalizar quando você está indo contra suas verdades. A região do umbigo ou estômago são geralmente as que se desestabilizam primeiro;
  • Pedir um carinho, uma massagem e entregar-se sinceramente a esse momento;
  • Falar calmamente sobre suas necessidades e seus sentimentos sem clima de acusação, buscando soluções.

Seja generoso com você mesmo e estará dando um passo importante na harmonia do relacionamento. Lembre-se sempre que o medo é o maior inimigo do amor. Não é fácil mudar certos comportamentos, mas acredite que é possível. E se estiver encontrando dificuldades, procure ajuda profissional.

Invista em você e no seu bem-estar. Entenda a diferença entre dar e se sacrificar. O sacrifício deixará a sensação de perda e não será útil nem para o seu crescimento nem para o do outro. Ao fazer sempre o que o outro quer, quem cede se perde de si mesmo.

Thais Martins Santos

CRP 04-24638

Psicóloga

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