Educando Maravilhas

Vivemos em uma sociedade que nos exige certos comportamentos e atitudes enquanto pessoas – um padrão.

 Hoje em dia, a pressão em cima de uma mulher é enorme, ela tem que ser 100% BOA em todas as áreas de sua vida para ser reconhecida como uma mulher bem sucedida.

 Tendo que ser quase super-heroína para “agradar a todos” ao seu redor.

 Os papeis de mãe e esposa sempre foram os alicerces da família, sendo que a expectativa depositada nas mulheres desde o berço é de serem grandes cuidadoras: primeiro do marido, depois dos filhos, depois dos idosos…

A educação que as meninas recebem desde cedo norteia para esse caminho: bonecas para brincar de mamãe, casinhas para brincar de dona-de-casa, Barbie´s e Polly´s para brincar de ser uma mulher linda e perfeita, e assim por diante.

 Mas além dessas atribuições pode-se observar que as mulheres foram lutando e conquistando também espaços importantes no mundo do trabalho, dos esportes, da política, sendo que hoje podemos dizer que não há uma só função nesse mundo que não possa ser brilhantemente desempenhada por uma mulher.

 Mesmo sendo fruto de tanta luta e esforço há de se mencionar que a conquista destes espaços onerou e muito a vida das mulheres que acumularam funções e triplicaram, quadriplicaram expectativas.

Hoje SÓ se espera das mulheres que elas além de ótimas mães e esposas exemplares nos afazeres domésticos, ainda sejam muito bem sucedidas no trabalho, ganhem bastante dinheiro, tenham um bom currículo e se mantenham atualizadas, estejam sempre lindas, com corpos em forma, tenham disposição para uma vida social, estejam sempre prontas para apimentar a vida sexual, e etc.

 A mulher precisa ser dotada de muita inteligência também para saber lidar com situações estressantes do dia-a-dia e acima de tudo, tem que estar de bom humor sempre. Senão, será taxada de Mulher-Chata! 

 O mais grave disso tudo é que este padrão de exigências tão altas é cultivado e propagado pelas próprias mulheres.

 É só dar uma olhada nas capas de revistas femininas, que trazem a propaganda de verdadeiras cartilhas para conquistar a perfeição: “Dez maneiras de crescer no trabalho”, “Emagreça 13 quilos em 07 dias”, “Manual de dicas infalíveis para educar os filhos”, “Enlouqueça seu companheiro na cama”… Todos esses títulos remetem a uma só idéia: Tudo o que acontece com as pessoas que convivem com você é responsabilidade sua.

Com essa cobrança exacerbada é corriqueiro encontrar nos consultórios mulheres exaustas e altamente culpadas por não estarem conseguindo desempenhar com maestria seus mil e quinhentos papéis.

 Nota-se que até se sentem culpadas por não estarem plenamente felizes ou não se resignarem com “tudo de bom” que possuem. Nestas condições pode-se entender por que as mulheres sofrem mais depressão e doenças psicossomáticas.

 As mulheres sabem cuidar, mas a maioria não sabe ser cuidada! Aprendem a se doar, a se preocupar com os outros, mas dificilmente conseguem olhar para dentro de si e perceberem uma simples verdade: são humanas! Precisam de afeto, de cuidado, do olhar amoroso do outro.

 Grande parte das mulheres não deixa transparecer essas necessidades; vestem a roupa de Mulher-Maravilha e saem para o mundo. Todos ao seu redor compram essa idéia e a tratam como tal. E aí se instaura o ciclo: os outros precisam, ela cuida, reforça a idéia de forte, os outros precisam mais, ela cuida mais e assim por diante.
É necessário relaxar as pressões auto-impostas pela nossa mente e por um instante, celebrar nossas imperfeições!Celebrar o ponto em que chegamos enquanto pessoas. Celebrar nosso grau de bondade, de caráter, de lucidez, celebrar a vida em si, celebrar o amor que temos em nossa vida!

Aprender a delimitar espaços, aceitar seus paradoxos, dosar expectativas, são conquistas indispensáveis para uma vida gratificante.

Sem dúvida, mulheres mais conscientes de seus limites são o primeiro passo para libertar tantas outras gerações de mulheres que podem e devem continuar a brilhar, mas de uma forma mais leve e humanizada. E assim realmente serem maravilhosas.

 Thais Martins

CRP04-24638

Psicóloga Clinlife

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