EMAGRECER MALHANDO… É POSSÍVEL?

O Ministério da Saúde (2012) comprovou que há um número muito grande de pessoas inativas, tendo por média 14% dos brasileiros adultos, ou seja, 18 milhões de pessoas totalmente sedentárias no país. Estudos verificam 26.9% e 27.7% de sobrepeso para homens e mulheres e 10,2% e 14,7% de obesidade para homens e mulheres, respectivamente.

O sedentarismo junto com maus hábitos alimentares tem total influência para o acúmulo excessivo de gordura corporal, e por conseqüência adquirir um estado de obesidade.

A obesidade é denominada como o aumento excessivo de gordura corporal pelo corpo todo e quando extrapolam os porcentuais de gordura de seu peso total. Tendo como estabelecido em 20% de gordura para os homens e 30% de gordura para as mulheres. Está associada a várias doenças, como enfermidades cardiovasculares (e seus fatores de risco hipertensão e hiperlipidemias), diabetes mellitus e certos tipos de câncer.

Estudos apontam que o nível de atividade física é dentre outros fatores, um dos mais importantes para prevenção e tratamento da obesidade, e sendo assim, não restam dúvidas, que quando bem sistematizado, torna-se fundamental para contribuir no emagrecimento.

De uma forma global, ao deixarmos de lado os objetivos atléticos, observa-se que há um grande número de pessoas procurando as academias, visando a priori uma preparação física, pois, vem sendo pelos estudiosos cada vez mais indicado o treinamento de força, por que este, além de induzir o aumento de massa muscular, a musculação contribui para a aptidão física, melhora da capacidade metabólica, estimulando a redução da gordura corporal; aumento de massa óssea, leva a mudanças extremamente favoráveis na composição corporal; propiciam as adaptações cardiovasculares necessárias para os esforços curtos repetidos e relativamente intensos; melhoram a flexibilidade e a coordenação, além de contribuir para evitar quedas em pessoas idosas e no caso de pessoas obesas, visa o aumentando do metabolismo basal, proporcionando o aumento do gasto calórico e reforçando as articulações, reduzindo o risco de lesão durante o treino aeróbio, além de possibilitar ao obeso uma vida mais ativa, entre outros.

Alguns estudos mostraram que são necessários três a cinco horas semanais de exercícios físicos para a redução do peso corporal para a população com sobrepeso ou obesidade. Onde, é necessário um gasto calórico, através de exercício físico, de 300 até 2000 kcal por semana no intuito de maximizar a perda de peso corporal em longo prazo.

É possível reduzir a gordura corporal, sem diminuir o peso quando ocorre ganho de massa muscular. O aumento de massa muscular pode ser superior ao peso de gordura reduzido, levando ao aumento no peso corporal total. Assim, a ênfase no tratamento da obesidade deve ser na redução da gordura corporal, já que apenas a perda de gordura promoverá benefícios à saúde.

Para entender melhor sobre como acontece fisiologicamente o gasto calórico e o emagrecimento, deve-se ater a quais mecanismos levam a tais resultados metabólicos, por tanto, é necessário entender, que só “há três formas de se gastar calorias: a) as utilizadas no metabolismo basal, b) às necessárias para digerir alimentos, c) e as consumidas na contração muscular”, e que ao mensurá-las, observa-se que o metabolismo basal é responsável por cerca de 70% do gasto calórico, devido fazer parte das calorias destinadas para manter as funções celulares de todo organismo, porém, fica nítido que elevando a taxa de metabolismo basal, certamente elevar-se-á o gasto calórico e, com isso, contribuindo ainda mais para o emagrecimento.

Superficialmente, é correto afirmar que toda e qualquer atividade física, contribui para um emagrecimento, tendo em vista que todas provocam um gasto de calorias maior do que quando em repouso. Sendo assim, fica possível mencionar que o treinamento de força por agir significativamente no aumento de massa muscular, e consequentemente contribuir ainda mais com o aumento do metabolismo basal, vem ser um fator ímpar para o emagrecimento saudável, que estimam que o aumento de 1 a 3 kg de massa muscular pode levar, isoladamente, à perda de 1 a 2 kg de gordura por ano em função do aumento da massa muscular.

E com isso, vem-se comprovando que não somente o treinamento aeróbio contribui para o emagrecimento e que o TF além de contribuir para tal, pode evitar problemas relacionados com a perca de peso magro, o que é muito comum quando programa-se apenas com treinamento aeróbio.

O gasto energético da atividade de força não é tarefa simples, pois existem inúmeras possibilidades de combinações de exercícios, número de séries, intervalo de recuperação, número de repetições, velocidade de execução e carga, além de que, características individuais podem interferir, tais como: raça, gênero, idade, composição corporal e nível de aptidão física.

Confirma-se que com o TF quando periodizado, numa média de 03 a 05 vezes por semana, variando entre 08 a 15 exercícios, com 03 séries de 08 a 15 repetições dentre as intensidades de 60 até 80% de um 1RM, aproximadamente 01h/dia num período de no mínimo 08 semanas até 12 meses, pode acarretar melhorias mensuráveis para um emagrecimento saudável, tendo em vista, que proporciona uma diminuição da porcentagem de gordura corporal que varia entre 3,40%, podendo chegar até 19,08%, e ao mesmo tempo, pode manter, ou até elevar a massa magra em até 2.68%, (ACSM stand on progression models in resistance training for healthy adults. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 34, n. 2, p. 364-380, 2002).

Para efetivar o programa de emagrecimento dentro do treinamento de força, pode-se aplicar o método de treinamento em circuito, alterando o volume do treinamento, aumentando a duração da sessão e ativando mais o sistema aeróbio, acarretando em um maior gasto energético durante o exercício, porém ainda dentro das características dos exercícios de força.

No treino de força este é o método que mais ativa o sistema aeróbio. O circuito pode trabalhar com maior predominância o sistema anaeróbio (podendo ser mais intenso) ou trabalhar bem o sistema aeróbio ou trabalhar ambos os sistemas em momentos distintos da mesma sessão de treino.

Tudo dependerá da montagem do circuito, podendo se adequar de acordo com a necessidade (objetivo) e gosto do praticante.

O circuito de musculação apresenta um gasto calórico abaixo do indicado. Contudo, o gasto calórico é dependente da composição corporal do indivíduo, mais especificamente a massa muscular. Sendo assim, conforme a massa muscular for sendo aprimorada com o treino, maior será o gasto calórico com a progressão do treinamento, além de que, se o gasto calórico for o objetivo principal, o treinamento deve ser totalmente montado para que ocorra o máximo de gasto calórico possível para seus praticantes. Com relação à prática do circuito de força para pessoas que apresentam complicações como os cardiopatas e hipertensos (muitos obesos apresentam estas patologias), o circuito parece ser um treinamento seguro e eficiente, desde que os indivíduos estejam devidamente medicados e liberados pelos médicos a praticarem atividade física.

Comprovadamente, a musculação é um excelente meio de reduzir o percentual de gordura, mas os benefícios não se resumem a isso apenas. O treinamento com pesos estimulará a síntese de proteínas musculares melhorando sua estética e as funções do aparelho locomotor. Além disso, os benefícios obtidos com o uso de exercícios resistidos serão mais duradouros, devido à manutenção e até mesmo elevação do metabolismo de repouso, que parece ser relacionado com a massa muscular.

A junção de exercícios físicos e dietas são mais eficientes para alcançar o equilíbrio calórico negativo, do que quando se utiliza apenas a dieta ou o exercício de forma isolada. Não é necessário nestes casos, buscar recursos cirúrgicos, farmacológicos e outros procedimentos alternativos que venham prejudicar a integridade física, de maneira invasiva, mas apenas, conscientização e integração mutua dos envolvidos, com determinação e disciplina certamente os resultados serão satisfatórios. O melhor caminho é buscar profissionais capacitados que possam auxiliar nesta função.

Laís Martins de Souza

Profissional de Educação Física Clinlife

CREF: 018564-G/MG

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