Emoções no emagrecimento

 

Quando os sentimentos entram em cena é importante ficar atento ao apetite. Isso mesmo! Além da comida, colocar no prato as carências pode minar sua reeducação alimentar sabotando, sobretudo, o objetivo de manter-se magro.

Por que, normalmente, as pessoas recorrem à comida para equilibrarem as próprias emoções?
O alimento não é só nutrição. É uma forma de afeto em nossa vida. Começa, inclusive, na relação que a criança estabelece com a mãe oralmente, quando ainda é um bebê. Nesta fase, quando chora (por motivo de fome, dor, sono, calor, frio ou sede), lhe é oferecido o seio ou a mamadeira. É constituída, então, uma relação precoce: emoção-comida. Assim, o alimento passa a reduzir (em curto prazo) a ansiedade. Já na idade adulta, esta “compensação” leva muitas pessoas a buscarem no que consomem uma forma de atenuar suas emoções negativas.

Então sentimentos como: insegurança, baixa autoestima, rejeição, dentre outros, precisam estar “bem resolvidos” antes de iniciar a dieta?
Se a pessoa utiliza a comida como redutora dessas emoções, sim. Ao menos deverá cuidar delas, durante a reeducação alimentar. Se ela come por ansiedade, por exemplo, tem de tratá-la, se quiser controlar a alimentação afetiva.

Muitas vezes, a dificuldade maior não reside “apenas” no emagrecimento e, sim, em restabelecer o vínculo com a alimentação para permanecer magro. Por que isso ocorre?
Quem é gordo e emagrece não é magro. ESTÁ MAGRO. E só se manterá nesta condição enquanto estiver vigilante aos hábitos saudáveis. Logo, o objetivo deve ser: restabelecer o vínculo com a alimentação  e não apenas fazer “mais um regime” para perder determinado peso por algum tempo.

Por que algumas pessoas “sabotam” a reeducação alimentar? Quais os fatores que desencadeiam tal conduta?
No processo de reeducação alimentar, muitas vezes, ela deseja conscientemente emagrecer, mas inconscientemente resiste a isso. A explicação pode estar nos “ganhos” que ela obtém permanecendo acima do peso

Quais seriam estas “vantagens”?
É como se, inconscientemente, a gordura corporal funcionasse como um escudo de proteção. Só para exemplificar, há episódios de mulheres que engordam para neutralizarem a própria sensualidade (por insegurança ou outras questões psicológicas, a pessoa “enfeia-se” para poupar-se de experiências afetivas). Outras justificam a timidez devido ao sobrepeso: “Sou tímida porque sou gorda”. Neste caso, esta pode ser uma desculpa para que ela não resolva tal acanhamento, justificando, assim, o seu afastamento social. Há ainda pessoas que fazem da preocupação com o sobrepeso uma maneira de ignorar os outros problemas de sua vida (enquanto se inquietam com o emagrecimento, “esquecem” das outras dificuldades). Se estas questões não forem “trabalhadas”, podem gerar uma resistência significativa ao processo de reeducação alimentar.

”A dieta é um estilo de vida por isso deve se basear em três fatores: reorientação nutricional, atividade física e equilíbrio psicológico”

Quais as “fontes de gratificação” que a pessoa deve buscar para evitar os excessos alimentares?
Primeiramente ela precisa compreender que a comida é apenas um prazer, e não o único prazer existente na face da Terra. É preciso resgatar atividades que goste de fazer ou habilidades que realiza com competência. Abandonar o auto-isolamento, que muitas vezes o quadro de obesidade impõe, é fundamental.

Qual é o ritmo do processo de emagrecimento e como ele pode ser compreendido?
Cada pessoa tem o seu ritmo.  Por isso, é importante cuidar do processo, o que significa comemorar cada vitória conquistada, seja qual for o tamanho dela. Enfim, é fundamental valorizar todas as etapas, alimentando a própria autoestima e bem-estar. Tornar-se magro será uma consequência.

Quais são os hábitos a serem adotados por quem deseja se reeducar na hora de se alimentar?
É importante aliar controle nutricional, atividade física e equilíbrio psicológico. Além destes princípios, válidos para todos, é importante ressaltar que o emagrecimento exige comprometimento do “candidato”. Uma das crenças que a pessoa obesa deve combater é a de que ela é um agente passivo. Acredita que apenas o médico, o nutricionista, o psicólogo, o educador físico ou o remédio irão emagrecê-la. Na realidade, é ela quem deve assumir a responsabilidade pelo emagrecimento, se quiser obter sucesso.

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