Entenda a dor muscular pós-atividade física

  

 

A procura pela prática de atividade física no Brasil tem crescido bastante nos últimos anos. Pessoas de todas as idades e ambos os sexos visam a busca por padrões de estética corporais, bem como a manutenção e promoção da saúde, ou mesmo o lazer. Isso faz com que academias, clubes esportivos e clínicas busquem o crescimento de várias modalidades de atividades físicas diferentes. 

Para alcançarem seus ideais, muitos indivíduos sacrificam-se além de seus limites com dietas inadequadas e exercícios extenuantes, principalmente com as atividades de sobrecarga progressiva, que nem sempre são realizadas com acompanhamento especializado, de forma que acabam ultrapassando a capacidade de adaptação à demanda. Tais práticas são freqüentemente associadas ao desenvolvimento de lesões ou de desconfortos relacionados à prática de exercícios físicos, como a dor muscular pós-atividade física. Todos os praticantes de atividade física e esporte e, principalmente, indivíduos sedentários, já experimentaram, ao menos uma vez, algum episódio deste tipo de dor, principalmente após a execução de um padrão de movimento diferente daquele ao qual estão acostumados.  

A dor muscular pós-atividade física é caracterizada pela sensação de desconforto muscular que aparece algumas horas após a prática da atividade física vigorosa. Essa sensação de desconforto não se manifesta até, aproximadamente, oito horas após o exercício, aumentando progressivamente de intensidade nas primeiras 24 horas e alcançando o máximo de intensidade entre 24 e 72 horas. Após esse período, há um declínio progressivo do desconforto, de modo que de cinco a sete dias após a carga de exercício desaparece completamente.  

Esse tipo de dor muscular é comumente atribuído isoladamente ao ácido láctico. Um erro cometido por leigos e por alguns profissionais da saúde. É fato que a não associação do ácido láctico a dores relacionadas à atividade física seja equivocada. Ele tem sua parcela de culpa. Porém, estudos recentes descobriram que a substância é eliminada do organismo cerca de duas a três horas depois do término do exercício, sendo o ácido láctico responsável apenas pelos desconfortos imediatos durante e logo após a atividade.  

Nos sintomas manifestados no dia seguinte e até 72 horas depois da prática esportiva, os verdadeiros responsáveis seriam os chamados microtraumas, que desencadeiam um processo inflamatório no organismo cerca de 24 horas após a atividade. Na literatura existem estudos que demonstram que este efeito seria causado pela liberação da enzima CK (creatina quinase) na corrente sangüínea, a partir do rompimento de membranas celulares presentes nos músculos.  

Por muitos anos, o tratamento para essa dor muscular tem sido abordado na literatura em diversos tratamentos como recursos fisioterapêuticos, fármacos como aspirina, antiinflamatórios (esteróides e não-esteróides), vitamina C e outros antioxidantes; massagem terapêutica; banhos de contraste (quente e frios); oxigênio hiperbárico e alongamentos. No entanto, nenhuma dessas abordagens têm sido demonstrada como totalmente eficaz.  

Uma forma aparentemente eficaz de lidar com a dor muscular pós-atividade pode ser a prevenção das recorrências das micro-lesões induzidas pelo exercício intenso através de exercícios de fortalecimento muscular em que a musculatura esteja exercendo a contração em posição alongada, sendo capaz de proteger a fibra muscular contra agressões subseqüentes, demonstrando a capacidade do músculo de se adaptar rapidamente e principalmente o início gradual de toda e qualquer atividade física.

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