“Eu não consigo emagrecer”

Qualquer semelhança é mera coincidência. Não venho aqui para falar de dietas revolucionárias, mas sim de pensamentos arbitrários que tendem a ser deterministas e podem ir de encontro ao nosso processo de mudança, no caso em questão cito um pensamento comum das pessoas que se propõem a entrar em um processo de emagrecimento e muitas vezes desistem no primeiro obstáculo.

Os chamados “pensamentos disfuncionais” são formulados através de falas que ouvimos de pessoas próximas ou mesmo de experiências isoladas que tivemos ao longo de nossa vida. São disfuncionais pois em algum momento específico aprendemos a nos comportar de determinada forma e generalizamos essa forma de agir para contextos diferentes. Um exemplo é quando nossos pais nos ensinam que ao atravessar a rua precisamos olhar para os dois lados para ver se vem carro e diante de uma rua de mão única, continuamos a olhar para os dois lados para então atravessar. Nesse exemplo, o olhar para os dois lados é disfuncional pois não se aplica a este contexto.

O mesmo ocorre quando tomamos como única uma experiência negativa que tivemos frente a uma tentativa de fazer uma dieta de emagrecimento. Baseados em experiências anteriores, tomamos como certo que “mão damos conta”, “isso não é pra mim”, “eu sempre paro no meio do caminho”, “eu não consigo emagrecer”, e, consequentemente, desistimos na primeira dificuldade.

Experiências anteriores são importantes pois nos proporcionam um aprendizado, fica mais fácil nos defender quando é preciso e a se comportar adequadamente diante de um estímulo que já é conhecido. Entretanto, precisamos aprender a discriminar os contextos e suas nuances e, principalmente, entender que cada situação é única. Ter fracassado em uma tentativa anterior, não quer dizer que tentar novamente vai dar em fracasso, quer dizer que naquela ocasião em particular, diante de estímulos particulares do momento, você não deu conta de executar a tarefa com êxito. É importante olharmos para as experiências anteriores e percebermos o que deu errado e como fazer diferente de agora em diante – eu disse “diferente” e não “igual”. Eventos passados são bons preditores no sentido de, que se deu certo, vamos tentar fazer parecido para obtermos resultados parecidos, mas, caso contrário, o que podemos fazer de diferente da primeira vez para que nesta, dê certo? Esse pensamento sim, é funcional.

Então, não deu certo fazer dieta na primeira vez? Procure identificar o contexto em que você se encontrava; a forma e os tipos de alimentos que ingeria; teve alguma orientação; o que emagrecer significava para você naquele momento; qual era sua maior motivação; enfim, tente perceber em que momento algo saiu dos eixos e, dessa vez mude sua forma de agir, pois não dá para fazermos sempre as mesmas coisas e esperarmos por resultados diferentes.

Iana Pechir

Psicóloga Clinlife

CRP: 04/35355

 

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