Insônia e metabolismo

Dos radinhos de pilha aos ipods, passando pela TV e livros, chás e músicas relaxantes, quem tem insônia costuma dizer que já tentou de tudo para pegar no sono. E pra quem leva a sério a história de que contar carneirinhos ajuda, é bom mudar de estratégia: pensar em paisagens relaxantes é muito mais eficiente de acordo com uma pesquisa recente. O importante mesmo, defende o neurofisiologista Roldão Coelho, é a conscientização de quem sofre de insônia de que se trata de um problema médico. “É preciso tratá-lo o quanto antes”.

Há cinco anos o comerciante Flávio Magalhães Nunes, 52 anos, começou a ter insônia. Nunca procurou um médico para tratar do assunto, creditando os problemas às preocupações. No entanto, o despertar no meio da madrugada, a chamada insônia tardia, já ocorreu quando ele não tinha problema nenhum na cabeça. “Tenho praticamente todo dia. Acordo por volta das 3 da manhã e não consigo dormir mais. Só lá pelas 6h durmo mais um pouquinho, mas antes preciso sair do quarto para ouvir rádio, ver TV ou ler uma revista”, conta.

A insônia, como qualquer doença de sono, se abordada no início, pode evitar a consolidação de alguns transtornos do metabolismo. “Temos muitos hormônios ligados ao sono, o que determina o ritmo do metabolismo. Se isso se perde, tudo se desorganiza e fica difícil arrumar, explica Roldão Coelho. E se o metabolismo ficar muito tempo descontrolado, vai demandar mais ações e abordagens. Uma delas é o recondicionamento do sono, quando o ciclo natural de dois terços do dia acordado e um terço dormindo é retomado. “Se esse ritmo é perdido, precisamos recorrer a terapias e não só a medicamentos para voltar ao normal”.

O tratamento da insônia primária ou psíquico funcional pode ter abordagem comportamental ou medicamentosa. Segundo a neurologista e neurofisiologista Rosamaria Peixoto Guimarães, a primeira envolve a abolição de psicoestimulante (café, refrigerante, chocolate) à tarde e de bebida alcoólica depois das 18h, estímulos à atividade física antes das 18h e a adoção de hábitos mais relaxantes por volta das 20h. Um copo de leite quente também pode ajudar, assim como um banho morno antes de deitar. No mais, “cama é para dormir. Quem quer ler ou ver TV deve fazê-lo no sofá. Senão fica difícil para o cérebro fazer a conexão de que ao deitar na cama é hora de dormir. E se a insônia vier, é melhor acordar e fazer alguma coisa até que volte a  ficar rolando na cama”.

EFEITO: Mas a higiene do sono não funciona de um dia para o outro, o que leva muitas pessoas  a gritarem aos quatro cantos que com ela não funcionou. Segundo Rosamaria, são necessárias umas quatro semanas para começar a fazer efeito. “Tem que haver persistência para o organismo mudar o comportamento.” Outros insones precisam de medicamentos. Os mais leves, os naturais, são baseados em melatonina, hormônio que facilita o sono e não tem efeito colateral. Se não funcionar, passa-se para os fitoterápicos, que tem efeito relaxante. Em uma terceira tentativa são usados ansiolíticos, que diminuem o nível de tensão. Quando nada deu certo , é hora de recorrer aos hipnóticos, que induzem o sono e tem efeito muito rápido. Mas a especialista reforça: “ O sono do remédio é um sono artificial, não é o sono da pessoa.”

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