Medicamentos e o controle da obesidade

Não faz sentido introduzir ou retirar medicamentos no mercado nacional sem ouvir os médicos que clinicam nas especialidades que os prescrevem. São eles os que têm contato direto com os usuários, conhecem as suas necessidades, as limitações e a efetividade das diferentes alternativas terapêuticas, além de reais implicações das intervenções médicas.

O país acompanhou com grande interesse a discussão travada em torno da tentativa de retirada dos medicamentos voltados para o controle da obesidade do mercado nacional.

A proposta partiu da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Baseou-se na decisão de Agências estrangeiras e em pareceres técnicos internos, sem que fosse considerada a posição dos especialistas da área.

O processo desenvolveu-se em reunião em que foram apresentados os pontos de vistas da Agência, tendo sido concedido aos médicos espaço para expressão nos debates. Convidada para deles participar, a AMB fez-se, naturalmente representar pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Na ocasião foi assinado que o parecer da ANVISA discordava da diretriz para o tratamento farmacológico da obesidade adrede elaborada pela AMB/SBEM. Ficou evidente o desconforto criado pela omissão dos apresentadores, desconsiderando a opinião dos especialistas da área.

Temos por óbvio que educação alimentar e atividade física regular são fundamentais no tratamento da obesidade. Nem sempre, todavia, tais medidas são suficientes para a solução desse relevante problema. Em muitos casos é preciso acrescentar medicamentos e até mesmo cirurgia. A AMB e a SBEM analisaram todas as evidências disponíveis na literatura médica sobre o tratamento da obesidade e elaboraram diretrizes que servem para nortear a prática clínica nesse campo. Incluiu-se a avaliação das indicações, contraindicações, efetividade e eventos adversos dos fármcos existentes para esse fim. Esse material está disponível no site www.projetodiretrizes.org.br.

No Brasil, milhares de pessoas beneficiam-se desses medicamentos; pacientes que têm de ser considerados em uma discussão de caráter nacional. O cuidado com as indicações, a fiscalização impedindo a dispensação ao uso ilícito são alguns das alternativas ao simples banimento indiscriminado deste conjunto de fármacos.

A AMB e a SBEM esperam que a matéria volte a ser tratada com devida atenção aos pacientes em tratamento e que sejam os médicos assim ouvidos; que haja o mesmo olhar para os que cuidam das pessoas, os que zelam pela saúde das populações e os que garantem segurança dos medicamentos.

José Luiz Gomes Amaral

Presidente da Associação Médica Brasileira

Ricardo M.R. Meirelles

Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Texto retirado do jornal Folha da SBEM no 80 – Março 2011 – Ano XIX

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