Memória: Célula da Identidade

A memória pode ser definida como a aquisição, conservação e evocação de informações. Sendo assim uma forma de registrar informações como se fosse um arquivo que guarda nossas vivências. Esse conjunto de informações arquivadas é o que vai constituir o nosso acervo de memórias que faz de cada um de nós um ser para o qual não existe outro idêntico.

 Durante a recuperação de uma memória, são acionadas simultaneamente várias áreas cerebrais e esse processo, que acontece dentro de milissegundos, resulta em uma memória unificada em nossa consciência.

 Então como funciona?

 Regiões diferentes do cérebro participam no processo de codificação, armazenamento, e recuperação de experiências particulares, eventos, fatos e habilidades.

 Sabe-se que o funcionamento da memória é um trabalho completo de diversos circuitos do cérebro: a memória de curta e a de longa duração; a episódica e a semântica.

 A primeira conhecida como de curta duração, geralmente é de 05 a 20 segundos e funciona de acordo com o estímulo apresentado através de uma resposta; é o que acontece quando lembramos os números de telefone ao discar para alguém. Assim, ao finalizar a conversa, a tarefa da mente é desprogramar essa lembrança como sinal de meta alcançada. Pois bem, sem ela os seres humanos perderiam a sua identidade e incapacitados de participarem ativamente da sociedade.

 Requisitos básicos para o funcionamento de mnêmico 

 Atenção: habilidade de estar atento para absorver as informações.

A atenção é uma das funções mentais mais atingidas em casos de estresse, depressão, ansiedade e fadiga e, por conseqüência, os problemas começam a aparecer na memória. “Quando lidamos com muitas informações, nosso cérebro prioriza algumas e descarta outras, assim detalhes como ‘onde está a chave do carro’ podem ser esquecidos e confundidos com problemas de memória”.

 Observação: Refere-se ao ato de observar; nota; reparo; exame; conselho; admoestação; advertência; cumprimento; observância; exame de fenômenos ou fatos físicos ou morais

 Percepção: em psicologia, neurociência e ciências cognitivas, a função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas. Através da percepção um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio. Consiste na aquisição, interpretação, seleção e organização das informações obtidas pelos sentidos. A percepção pode ser estudada do ponto de vista estritamente biológico ou fisiológico, envolvendo estímulos elétricos evocados pelos estímulos nos órgãos dos sentidos. Do ponto de vista psicológico ou cognitivo, a percepção envolve também os processos mentais, a memória e outros aspectos que podem influenciar na interpretação dos dados percebidos.

 Concentração: Permite que você focalize a sua atenção em assuntos selecionados sem se distrair com facilidade. Observe, porém, que a concentração tem limite. Todos diferimos no que diz respeito à intensidade e à duração da nossa concentração, que também varia conforme a fase da vida em que nos encontramos.

 Associação: Ação ou efeito de associar. Ação de aproximar, de ajuntar: associação de cores. Associação de idéias, fato psicológico que consiste em uma imagem ou idéia evocar outra.

 Cada uma destas funções acima relacionadas são pilares básicos para que qualquer pessoa tenha um funcionamento cognitivo dentro dos parâmetros da normalidade.

 Etapas do funcionamento de memória

 Registro / Codificação: registro inicial da informação, assim que é recebida pelo cérebro. Nesse estágio é determinado se o dado será armazenado ou não e isso vai depender da atenção despendida e do quanto à informação é significativa.

 Armazenamento: se a informação foi registrada, ficará armazenada na memória de longo prazo.

 Consolidação: processo de utilização da informação que foi armazenada. Caso um dado não seja utilizado com frequência, será descartado pelo cérebro.

 Evocação / Lembrança: resgate da informação seja voluntariamente ou porque se fez necessária em algum momento.

 Após conhecer um pouco sobre as fases de funcionamento da memória é fundamental estimular para manter o bom desempenho desta função que guarda a nossa história e consequentemente nossa identidade.

 A importância de se estimular o cérebro

 O cérebro tem aproximadamente 100 milhões de neurônios e o ápice do desempenho deles se dá entre as idades de 2 a 3 anos , tendo seu apogeu no início da adolescência aos 12 e 13 anos.

 Daí em diante, processa-se o declínio, então, é necessário que se façam atividades específicas para estimulá-lo:

Ler, tocar algum instrumento, jogar xadrez, fazer contas…, tudo isso estimula o cérebro, ajudando-o a manter as suas conexões em perfeita atividade. Deste modo os exercícios intelectuais como a concentração, o trabalho respiratório ajudarão a manter uma memória saudável, já que diariamente milhares de neurônios morrem e a memória pode tornar-se dificultada. Esse processo acontece no momento em que uma pessoa é capaz de guardar as lembranças da infância e esquecer, por exemplo, onde colocou a chave do seu carro.

 Com a idade, os neurônios diminuem particularmente no hipocampo, área que interfere na memória recente; enquanto as memórias antigas já foram transferidas do hipocampo para outras áreas superficiais do cérebro denominadas córtex cerebral.

 Assim sendo se o esquecimento começa a interferir modificando a rotina de sua vida, é recomendado que se busque orientação de um especialista.  Por exemplo, o deficit de atenção e de humor não é um caso de perda de memória, mas um caso de estresse ou ansiedade que pode gerar tal situação.

 Outro gatilho pode ser o estresse crônico, os níveis hormonais ficam alterados e há produção de cortisol que perturba a memória. Também o sonho insuficiente o uso de drogas lícitas e ilícitas como o álcool, a cocaína, a maconha e outras afetam a memória.

 Mas como podemos agir para mantermos nossa memória com o melhor funcionamento possível?

 Os exercícios físicos e intelectuais são os aliados para quem deseja ter uma boa memória. Ainda, o contato com a natureza, a caminhada, a boa alimentação, respiração ajudarão a estimular o oxigênio que, no cérebro, beneficiam o funcionamento físico, emocional e mental. São eles que ajudam e estimulam a circulação cardiovascular. Ao se exercitar o corpo libera substâncias: beta- endorfina e serotonina, ambas promovem o bem-estar, pois reduzem a ansiedade e aumentam a resistência ao estresse.

 Para manter a memória saudável e eficaz é preciso começar a treinar desde cedo.

 E não basta ler livros ou jornais, é preciso também dialogar, expor opiniões. “Durante a atividade argumentativa, o cérebro é requisitado para opinar e replicar, assim a argumentação é fundamental para a memória. Ao ler um livro, a pessoa pode apenas guardar a informação sem discuti-la, o que não tem o mesmo efeito no cérebro”.

Então vamos colocar o cérebro para se exercitar!


Thais Martins

CRP 04-24638

Psicóloga Clinlife

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