Mês dos pais o presente é para os filhos: seu bom exemplo!

O hábito alimentar se forma desde os primeiros anos de vida. Após o desmame inicia-se a introdução de novos alimentos na rotina alimentar da criança.

A grande maioria das pessoas se esquece de que as crianças nascem sem saber qual é a exata diferença entre esses alimentos. Deveria haver estímulos e esforços dos pais no sentido de oferecer aos seus filhos alimentos saudáveis. Vale ressaltar que, o primeiro contato com alguns alimentos pode não ser uma boa experiência. Os alimentos, uma vez rejeitados, devem ser novamente oferecidos, ao longo de um tempo e em preparações diferentes, por até mais 10 vezes à criança.

As crianças aprendem a respeito do alimento não somente por suas experiências, mas também observando os outros. Dessa forma, a família fornece amplo campo de aprendizagem, no qual a alimentação se torna um dos principais focos de interação entre pais e filhos. O que se observa hoje é um excesso na oferta de alimentos altamente calóricos e pobres em nutrientes. Frutas, legumes e verduras quase nunca estão presentes nos cardápios.

A adequada introdução de novos alimentos com uma correta socialização alimentar, bem como a disponibilidade variada de alimentos saudáveis, permite a promoção do comportamento alimentar nessa fase, que poderá permanecer ao longo da vida. Fazer escolhas alimentares é um processo complexo e tem consequências a curto e longo prazo para a saúde.

Aprendendo desde cedo o conceito de saúde e nutrição a criança cresce com maior consciência, aumentando o interesse pelo alimento e sua aceitação.

Outra estratégia também usada pelos pais é o controle exercido em relação ao consumo durante as refeições, impedindo que a criança aprenda sobre a sensação da fome e saciedade. Isso afeta o seu próprio controle de ingestão, podendo alterar o grau de controle interno da criança e resultando em alterações de peso. Por exemplo, quando a criança fala que não quer mais comer porque está satisfeita, e os pais dizem “termine o que está no prato”, a mensagem fica clara para a criança de que a sua sensação de saciedade não é relevante para a quantidade de comida que ela precisa consumir.

Como colocar tudo em prática? Abaixo seguem algumas dicas:

Cardápios coloridos: As cores dos alimentos são ótimas para atrair a atenção e o apetite da criança. Lembre-se: primeiro comemos com os olhos e isso não é diferente nas crianças.

Montagem do prato:As preparações devem ser sempre diversificadas, assim como seus acompanhamentos. É interessante, montar o prato de diferentes maneiras, com os alimentos em posições contrárias aos dias anteriores, principalmente quando se trata de arroz e feijão. Varie os tipos desses alimentos, como: feijão carioca, feijão preto, feijão branco como salada, arroz branco, arroz com açafrão e arroz com brócolis. Use sua criatividade! Faça desenhos e carinhas.

Alimentos preferidos: Sempre que possível, inclua nas refeições da criança os alimentos de maior preferência juntamente com novas preparações e/ou alimentos previamente rejeitados.

Importância da alimentação: Na medida do possível, explique para a criança a função dos alimentos, a importância de cada grupo alimentar , o por que a dieta deve ser tão variada e não conter apenas biscoitos ou chocolates. Introduza na hora da refeição assuntos ligados a uma boa nutrição.

Modo de preparo do alimento: A família não precisa ter cardápios diferentes ou preparações separadas. Os alimentos usados habitualmente pelos adultos devem ser também consumidos pela criança. Recomenda-se, neste caso, adaptar a preparação de acordo com a faixa etária do seu filho. Uma nova elaboração no preparo dos alimentos faz com que as crianças aceitem, com mais facilidade, o que lhe for oferecido. Cozinhe ou desfie as carnes ao invés de assar ou grelhar, prefira legumes cozidos e frutas macias na sobremesa.

Refeição em Família: Completando a questão anterior, é interessante que os pais façam o consumo dos mesmos alimentos que seus filhos. Coloque no seu prato e no da criança todas as opções do cardápio oferecido no dia, mesmo que esse contenha algum alimento que a criança rejeita. Uma das maneiras, se não a mais importante, de aprendizagem da criança é o espelhamento em seus pais. A criança copia e observa tudo que os pais estão fazendo. Não adianta fazer a criança comer algo que você mesmo não come.

Insistir com as novidades: Nem sempre a criança concorda em comer uma preparação que lhe é oferecida pela primeira vez. Algumas precisam provar o mesmo alimento de 8 a 10 vezes antes de aceitá-lo e incluí-lo nos seus hábitos alimentares.

Participação Culinária: Envolver a criança na escolhas e no preparo dos alimentos. Exemplo: Leve-a ao sacolão para ajudar nas escolhas de frutas, verduras e legumes, permitindo que ela leve uma de sua preferência ou mesmo uma novidade. Ensinar a criança a fazer uma salada de frutas, assistirem uma preparação de bolo e mexer nos alimentos.

Autonomia: Deixar a criança controlar o quanto comer. Não forçar! Respeite a sensação de saciedade da criança. Já o número das refeições ao dia pode ser imposto pela família. Deixar a criança comer sozinha, oferecendo ajuda ocasionalmente. Preparar os alimentos de forma que a alimentação seja fácil para ela.

Respeito: Não forçar a criança e nem castigá-la no caso de recusar se alimentar. É melhor deixar que ela não coma do que tornar a ocasião um momento de desentendimento e insatisfação para filho e pais. Respeite a decisão da criança, mais tarde ela irá  procurar procurar você para se alimentar. Nessa hora ofereça sempre refeições saudáveis.

Conheça o processo de formação de hábitos:

1 – Sabor-sabor: Neste tipo de aprendizagem, o sabor está associado ao prazer. A percepção dos sabores compreende a sensação do doce, salgado, azedo e amargo e alguns outros associados a aminoácidos (estruturas básicas das proteínas). A sensibilidade ao sabor doce já aparece na fase pré-natal, possivelmente sendo estimulada pelas substâncias do líquido amniótico durante a gestação, tornando-a uma preferência natural.

2 – Nutriente-sabor: Ocorre num padrão similar a anterior. Uma substância nutritiva com mais calorias promove uma saciedade, e associada ao sabor aumenta a aceitação do alimento desconhecido. Os alimentos com alta taxa de gordura geralmente fazem parte do grupo de alimentos mais consumidos (e são os mais calóricos). Esses alimentos também são os mais palatáveis, e a gordura dá uma textura cremosa e fofa ao alimento, o que provavelmente conquista a preferência da criança.

3 – Exposição repetida e mera exposição: São processos de familiarização com alimentos que se iniciam com o desmame e a introdução dos alimentos sólidos durante o primeiro ano de vida. Embora as qualidades sensoriais do leite materno permitam à criança o primeiro contato com os sabores e cheiros variados, possibilitando o aumento da aceitação dos novos alimentos durante o desmame, é a aprendizagem pela exposição repetida aos alimentos que proporciona a familiaridade necessária para a criança estabelecer um padrão de aceitação.

Em uma criança, a obesidade atrapalha o crescimento e pode provocar a má formação das articulações e dos quadris. O médio e longo prazo poderá surgir hipertensão, colesterol elevado, diabetes e problemas cardíacos. Estimativas médicas mostram que oito de cada dez crianças obesas se tornam adultos gordos.

Atenção aos sinais de alerta

As crianças, em geral, começam a recusar determinados alimentos no início da vida escolar, quando experimentam uma fase de maior autonomia. O momento da refeição acaba sendo usado como uma maneira de chamar a atenção, de mostrar capacidade de decidir por si e até mesmo negociar com os pais. Até aí, nada de anormal. Acontece com a maioria das crianças.

No entanto, reações como chorar, cuspir ou até vomitar diante de novos alimentos, lapsos de atenção e concentração, variações de peso e apatia são sinais de alerta.

– O tratamento deve incluir orientações nutricionais, comportamentais e psicológicas, não só para a criança, mas também para os pais e irmãos. As divergências na hora da comida causam ruídos no relacionamento entre pais e filhos e podem até interferir na relação do casal. Neste ponto cogita-se a possibilidade do uso de suplemento nutricional a ser indicado até que se solucione o problema.

Recomendável ainda que se estipule um tempo para as refeições. Crianças tidas como “difíceis para comer” gastam em média 23 minutos para completar a refeição, enquanto as demais levam cerca de 19 minutos.

Nunca é cedo demais para falarmos de saúde. São atitudes e hábitos adquiridos na infância, os maiores responsáveis pela formação de adultos saudáveis. O acompanhamento nutricional é recomendado para qualquer idade, e quanto mais cedo ele se inicia, maiores são as chances de desenvolvermos adultos sadios que buscam qualidade de vida. Vocês não concordam que é mais fácil EDUCAR do que REEDUCAR?

Déborah Pessoa de Mendonça Camargos

Nutricionista Clinlife

CRN: 6854

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