O CINEMA TEM O PODER DE TRANSFORMAR

É sabido que entre fome (fisiológico – sensação de vazio no estomago, necessidade real) e vontade de comer (psicológico – desejo, gula, vontade de comer algo específico) há uma distância. Nada melhor para vencer a vontade de comer, é se distrair com outras atividades para tirar o foco da comida. E uma boa pedida pode ser assistir um bom filme, que além de distrair e lhe fazer esquecer a vontade de comer (se a fome orgânica já foi saciada), será ótimo para relaxar depois de um dia cansativo. Ou mesmo como lazer nos finais de semana. Alguns ainda possuem a característica de nos tocar de forma mais íntima, podendo auxiliar no nosso autoconhecimento.

Filmes fazem a gente rir, chorar, perder o fôlego, pensar por dias, semanas, meses. “Além do prazer estético, qualquer tipo de arte propicia uma maior e melhor compreensão interna de nós mesmos. Isso acontece porque os artistas conseguem expressar em suas obras as verdades mais íntimas e secretas do ser humano”, avalia Sérgio Telles, autor de “O Psicanalista Vai ao Cinema – Volumes I e II” (ed. Casa do Psicólogo).

Alguns filmes carregam a promessa de tocar a alma. A seguir, dez sugestões para você se emocionar, refletir ou, simplesmente, se divertir:

1 – Não Se Mova (Drama, Itália, Imagem Filmes, 2004) – Um amor improvável, proibido e autêntico. Assim é o sentimento que une o cirurgião Timoteo (Sergio Castellitto) e Itália (Penélope Cruz). Sabemos do romance quando a filha do médico sofre um acidente e só resta a ele esperar pelo fim da cirurgia. Nesse momento, Itália toma os seus pensamentos e, a partir daí, a difícil saga dos amantes é reconstituída. Prepare-se para se emocionar com o encontro de uma mulher machucada pela vida com um homem disposto a amá-la, apesar de suas diferenças sociais.

2 – Hanami – Cerejeiras em Flor (Drama, Alemanha/ França, Filmes da Mostra, 2008) – A diretora alemã Doris Dörrie aborda o tema da dor provocada pela perda de um ente querido. Trudi (Hannelore Elsner) ouve dos médicos que seu marido, Rudi (Elmar Wepper), tem pouco tempo de vida. Dali em diante, guarda consigo a sentença, evitando compartilhá-la com sua família. Seu desafio é convencer o parceiro, um senhor metódico e ranzinza, a se aventurar numa viagem para longe do cotidiano regrado. Em um segundo plano, emerge outra temática: a relação entre pais e filhos adultos.

3 – Paris, Te Amo (Romance, França, Imagem Filmes, 2006) – Quem nunca sonhou em viver um romance na capital francesa? Se você faz parte desse grupo, irá se deliciar com Paris, Te Amo. Mas saiba de antemão que não encontrará aquele monte de clichês relacionados à Cidade Luz. O filme é uma colagem de 18 curtas-metragens dirigidos por grandes cineastas, como Walter Salles e os irmãos Cohen. São histórias de encontros, desencontros, solidão e incomunicabilidade. Uma ótima pedida para se apaixonar por Paris, claro!

4 – Pequena Miss Sunshine (Comédia dramática, EUA, 20th Century Fox Film, 2006) – Dizem que toda família tem seus dramas. Só mudam os endereços. No caso dos Hoover, os problemas são cômicos, como também o amor e a solidariedade que os une, já que passam quase todo o filme dentro de uma Kombi. A viagem tem um motivo: levar a caçula Olive (Abigail Breslin) para participar de um concurso de beleza. Detalhe: a garota não se encaixa nos padrões estéticos vigentes. Uma maneira bem-humorada de criticar a sociedade americana, abordando temas como a obstinação pelo sucesso e a velhice.

5 – Fale com Ela (Drama, Espanha, 20th Century Fox Film, 2002) – O diretor espanhol Pedro Almodóvar volta sua câmera, dessa vez, para a cumplicidade masculina. Lado a lado, vivendo situações similares, estão Benigno (Javier Cámara), um jovem enfermeiro, e Marco (Dario Grandinetti), escritor. Ambos acompanham o calvário de duas mulheres hospitalizadas em estado de coma. Enquanto atravessam esse período de incertezas, tornam-se amigos e confidentes. Benigno, o mais terno, instiga o colega, anestesiado em face da fatalidade, a exercitar sua sensibilidade, na tentativa de aproximar-se de sua esposa. Essa é a deixa para os dois trocarem impressões sobre as mulheres. Para eles, seres complexos e misteriosos. Com isso, o sexo feminino acaba, como sempre, ocupando o centro da narrativa.

6 – Amelia (Drama, EUA/Canadá, 20th Century Fox Film, 2009) – Nada como admirarmos a saga de uma pioneira para saírmos do cinema dispostas a conquistar o mundo. É assim que você vai se sentir depois de conhecer a biografia de Amelia Earhart (Hilary Swank), a lendária aviadora que desapareceu enquanto sobrevoava o Oceano Pacífico em 1937. Destemida, ela queria contornar o planeta, depois de ter-se tornado a primeira mulher a fazer a travessia do Oceano Atlântico no comando de um avião. No campo afetivo, Amelia dividiu-se entre dois grandes amores: o marido George Putnam (Richard Gere), relações públicas e magnata do mercado editorial, e o piloto Gene Vidal (Ewan McGregor), amigo de longa data.

7 – Sob o Sol da Toscana (Romance, EUA, Buena Vista, 2003) – Depois do divórcio, a vida da escritora Frances (Diane Lane) perde a cor. Mas as luzes da Toscana a aguardam. Ela não sabe disso quando embarca numa excursão para a terra dos girassóis. Do outro lado da tela, saboreamos cada passo da sua jornada de reconstrução. A começar pela compra de uma casa antiga. Após a aquisição, começam seus esforços para se colocar de pé, bem como para restaurar a deteriorada edificação. O medo e a solidão logo são afugentados com a chegada de novos amigos, sabores e amores.

8 – Lemon Tree (Drama, Alemanha/França/Israel, Imovision, 2008) – A sinopse de Lemon Tree prepara o espectador a encarar um filme sobre o conflito entre Israel e Palestina. A surpresa, emocionante, por sinal, é perceber a certa altura o recorte sensível do roteiro: a opressão do feminino por duas culturas machistas. Salma, uma viúva palestina, vê sua plantação de limoeiros ser ameaçada quando o Ministro de Defesa de Israel se muda para a casa ao lado. As árvores, às quais dedica todo seu zelo, colocam a segurança do político em risco. Para que não sejam derrubadas, a protagonista se lança numa batalha judicial. Com o fervor de uma mãe em defesa de seus filhos, ela rompe o silêncio imposto às mulheres e se faz ouvir.

9 – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Comédia, EUA, 20th Century Fox Film, 1977) – Todas as gradações do amor estão presentes neste filme, que revelou o cineasta Woody Allen. Alvy Singer (Allen) e Annie Hall (Diane Keaton), ele, comediante, ela, cantora, se conhecem, se apaixonam e, em pouco tempo, passam a dividir o mesmo teto. Eis que as diferenças emergem, desestabilizando a união do casal. Alvy é inseguro, atrapalhado e receoso de perder sua liberdade. Annie, por sua vez, é jovem, intensa e impulsiva. As agruras do casal rendem diálogos satíricos, bem-humorados e inteligentes, com recorrentes alusões à psicanálise, marca inconfundível desse cineasta novaiorquino.

10 – Quanto Mais Quente Melhor (Comédia, EUA, 20th Century Fox Film, 1959) – Quem não conheceu o glamour da década de 1950 precisa assistir a essa deliciosa comédia, centrada no brilho de Marilyn Monroe. A loira fatal interpreta a cantora Sugar, líder de uma banda composta apenas por integrantes do sexo feminino. No meio do batalhão de mulheres, os músicos Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) fazem malabarismos para conquistar a beldade. Mas aí que está a graça da trama. Eles não podem revelar suas verdadeiras identidades, já que estão disfarçados de donzelas. Medida desesperada após terem acidentalmente testemunhado uma chacina cometida por gângsteres na violenta Chicago de 1929. Garantia de boas risadas!

Fonte: http://mdemulher.abril.com.br (Adaptado)

1 comentário


  1. Lista maravilhosa de filmes para se assistir a qualquer dia, em qualquer momento, principalmente num dia chuvoso e fiozinho. Dramas e emoções à flor da pele, assim como todas as mulheres gostam. Dica imperdível para quem adora cinema, com filmes que fizeram história e outros não tão conhecidos, mas não menos interessantes. Vale a dica de conferir também outros filmes de Almodóvar.

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