O comportamento alimentar é a base para a reeducação nutricional

Quando se fala em Comportamento Alimentar devemos imaginar a ingestão de qualquer alimento. Qualquer alimento que seja ingerido pela pessoa pode ser entendido como a mesma ter se alimentado apesar de ficar a questão de se ela se nutriu de forma adequada. Para que a pessoa esteja nutrida é necessário que a mesma tenha se alimentado adequadamente em qualidade e quantidade.

O Comportamento Alimentar é mais “primitivo”, está relacionado aos nossos resquícios adaptativos da evolução da história do homem. Assim sendo é permeado por elemento inconsciente e menos racional que o comportamento nutricional, que pode ser considerado mais “inteligente” e cientificamente fundamentado.

Por esses motivos pode-se deduzir que o comportamento alimentar é anterior ao nutricional sendo a sua base. O Comportamento Alimentar deveria ser regulado pelo mecanismo fome – saciedade, mas nem sempre é assim que acontece. É neste momento que se torna fundamental entender que as emoções, a ansiedade, os estados de humor depressivos e outros fatores psicológicos podem alterá-lo profundamente e, conseqüentemente, o comportamento nutricional.

Quando temos um comportamento alimentar balizado por emoções estamos necessariamente falando não mais de fome, mas sim de apetite uma vez que a fome é da ordem da fisiologia e o  apetite da ordem do desejo.

Muitas vezes quando as pessoas procuram as orientações nutricionais que visam emagrecimento, elas relatam que “sabem” o que fazer e comer, mas sentem-se impotentes para fazê-lo. Algo mais forte que sua vontade e que elas não sabem nomear as impede.

Essas pessoas acabam comendo mesmo sem fome, sabendo que não deveriam fazê-lo. Ao comer a pessoa sente um  alívio imediato e provisório da sensação negativa de ansiedade, que volta reforçada pela culpa, levando a pessoa a comer mais, para tornar a diminuir a angustia.

Dentro deste ciclo que se retroalimenta a primeira  conseqüência a ser observada é a engorda e logo em seguida a pessoa  passa a evitar toda uma gama de situações e atividades e também as gratificações delas decorrentes. E como num efeito cascata outros comportamentos vão sendo alterados como, por exemplo, a diminuir a atividade física porque engordou; questionar a aparência e evitar ir a lugares onde tenha que se expor fisicamente.

Além da restrição da vida social pode tender ao isolamento. Essa reação provoca o afastamento de outras pessoas, mas o obeso o parece não perceber que isto se deve ao seu comportamento e não à sua aparência. Uma relação diretamente proporcional entre a ansiedade e a solidão  acaba por  reforçar um aumento  da ansiedade. A redução dos  prazeres pela piora da qualidade de vida e crescendo a ansiedade, tem como conseqüência o aumento do comportamento alimentar como válvula de escape para as emoções. A isso podemos oferecer o nome de alimentação afetiva.

A autonegação do prazer leva a pessoa a rejeitar seu corpo e a conduz a uma dependência infantil da comida, que passa a simbolizar a satisfação corporal... ESTÁ FORMADO O CÍRCULO VICIOSO… Os mais tênues sinais de ansiedade, antes mesmo de tornarem-se conscientes, podem ser “amortecidos” pelo ato de comer, ACIONADO AUTOMATICAMENTE.

Thais Martins Santos

Psicóloga Clinlife

CRP 04-24638

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