O mau do carboidrato

Uma alimentação pobre em nutrientes e farta em açúcar, em longo prazo, tende a deixar a pessoa deprimida e cansada, pois o organismo se desgasta para metabolizar os alimentos e não tem a reposição dos nutrientes, que são o seu combustível.

Quando se fala em açúcar, você logo pensa em guloseimas, como brigadeiro, balas e pirulitos? Doce engano… Apresentado de inúmeras formas e usado não apenas como adoçante, mas também conservante, um verdadeiro batalhão de açúcares é encontrado nos mais diversos alimentos, até mesmo naqueles que as pessoas menos imaginam. É o caso dos biscoitos salgados, molho de tomate, maionese, ketchup, ervilha e milho em conserva, massa de pizza, cereais matinais e pães em geral. Nem remédios (xaropes, vitaminas, comprimidos) e creme dental escapam da presença da sacarose.

A lei só obriga uma referência na embalagem quando o produto é diet (sem açúcar) ou light (com uma porcentagem menor de calorias), sem maiores detalhes então os fabricantes abusam dos açúcares e, na maioria dos casos, não indicam a respectiva quantidade nos rótulos. Assim, muita gente fica sem saber que em uma lata de refrigerante pode ser encontrado o equivalente a cinco pacotes do açúcar, daquele usado para adoçar o cafezinho.

Mas, para piorar a situação dos apreciadores de guloseimas há aqueles que fazem parte da estrutura natural dos alimentos. Esses açúcares, assim como a sacarose, também são identificados pela terminação ‘ose’. Frutas, vegetais e mel, por exemplo, além das vitaminas, são doces por natureza graças à presença da frutose. O leite e seus derivados possuem a lactose. E o malte de trigo e a cevada, a maltose, essencial na produção de cerveja

O ideal então é se contrabalançar a quantidade diária de carboidratos recomendada. Por exemplo; para saborear um brigadeiro é preciso deixar de ingerir duas batatas. Para todos os mortais, a orientação geral é ter bom senso, incluindo na dieta as fibras das frutas e verduras (que ajudam a baixar a glicose no sangue) e de carboidratos complexos (arroz, vegetais e cereais integrais, que demoram a virar açúcar no sangue, dando chance ao corpo de absorvê-los para produzir energia imediata antes que se acumulem). Nessa tarefa, aliás, as atividades físicas também são fundamentais.

Ao serem absorvidos, os açúcares são convertidos em glicose, que é a menor partícula dos carboidratos e cuja função é liberar energia essencial ao trabalho celular. Porém, se são consumidos demais, gerando combustível acima da necessidade basal energética, automaticamente é acionado um sistema de regulagem: o pâncreas começa a produzir insulina e a lançá-la na circulação sangüínea para tentar reduzir a elevação do açúcar ao nível normal. Este hormônio transforma o excesso em reserva de gordura sob a pele, nas fibras musculares, nos órgãos e vasos sangüíneos.

O aumento de peso, portanto, é uma das primeiras conseqüências de um desequilíbrio na quantidade de açúcar na alimentação. O risco de desenvolver outras doenças, por exemplo, diabetes vem depois. O excesso de tecido adiposo leva ao aumento da produção de certas substâncias que têm a capacidade de interferir no mecanismo de ação da insulina. Este quadro, por sua vez, ocasiona uma ineficiência da atuação da insulina e, conseqüentemente, o aumento dos níveis de glicose no sangue.

De fácil absorção, o carboidrato é um enganador da fome, porque proporciona a sensação de que estamos saciados, estimulando a pessoa a reduzir a ingestão de outros nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo.

O açúcar também aumentaria a produção de estrogênio – o que nas mulheres pode levar, entre outros problemas, ao aumento do risco para o câncer de mama. Já nos homens, a elevação do hormônio está entre as causas da diminuição da potência sexual. Em 2003, pesquisadores da Universidade de Nova York chegaram inclusive a associar os altos níveis de glicose no sangue (não necessariamente diabéticos) com o enfraquecimento da memória. Entre os voluntários, aqueles com glicemia alterada demonstravam diminuição da área do hipocampo (parte do cérebro fundamental para o aprendizado e a formação de memória recente).

Portanto, cuide-se bem, pois o consumo descontrolado de carboidrato pode gerar conseqüências bem amargas para a saúde – desde cáries e enxaqueca até diabetes, obesidade e perda de memória. Lembre-se que o ganho de peso é apenas a ponta do iceberg, e você pode conseguir este objetivo através da medicina ortomolecular!

Adaptado por Déborah Pessoa – Nutricionista Clinlife

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *