O sofrimento Psíquico e a Obesidade

A obesidade é considerada uma síndrome multifatorial, e de acordo com o INBIO (Instituto Brasileiro Interdisciplinar da Obesidade), nessa síndrome, a genética, o metabolismo e o ambiente interagem, assumindo diferentes quadros clínicos, nas diversas realidades sócio-econômicas.

A OMS (Organização Mundial de Saúde), afirma que a obesidade é o acúmulo excessivo de tecido adiposo (gordura) no organismo, atingindo hoje, cerca de um terço da população mundial. A OMS considera a obesidade um dos dez principais problemas de saúde publica do mundo, envolvendo fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, emocionais, culturais e sociais. Como a saúde física e psicológica são afetadas e a expectativa de vida é reduzida em função do aumento do peso, é fundamental se debruçar para entender a questão .

Estudos que datam de  1985, apontam  que das pessoas que sofrem com algum tipo de obesidade, 2% derivam de causas endocrinológicas, outros 8% são diabéticos e não produzem insulina no organismo suficiente para metabolizar os alimentos. Existem também aproximadamente 10% de pessoas com tendência genética a obesidade, portanto herdam a gordura de seus antepassados e provavelmente mais uns 10% que são obesos na vida adulta por terem sido crianças gordas. E ainda pode-se contar 10% que desenvolvem a obesidade por aspectos culturais sejam esses aspectos hábitos familiares, sociais ou étnicos.

Assim, os dados acima descrevem as causas de 40% das pessoas com problemas de obesidade, restam 60% das pessoas obesas que certamente desenvolveram esse problema devido a causas emocionais. Alguns médicos afirmam que as pessoas engordam apenas por comerem em excesso ou porque descontam suas ansiedades, carências e depressões na comida, mas nem sempre consegue-se explicar porque que esses problemas levam as pessoas a comerem demais.

A obesidade pode ser considerada uma doença que pode revelar desordens físicas e psíquicas que se manifestam através do corpo. Assim, a obesidade nos deixa conhecê-la como uma manifestação de doença e sintoma.

Kahtalian (1992), declarou que na década de 30 a obesidade era incluída somente dentro dos distúrbios das glândulas endócrinas, e foi a partir das décadas de 40 e 50, que a aproximação com a questão psicológica começou a receber maior ênfase, e mais recentemente é que os fatores emocionais começaram a ter importância para os profissionais que lidam com o excesso de peso.

O fatores psicológicos mencionados nas pesquisas apontam para a influência da cultura, ambiente, história familiar, estrutura de personalidade e o inconsciente das pessoas com excesso de peso. No entanto, o exato mecanismo pelo qual alguns destes fatores contribuem para o excesso de peso, ainda não foi claramente explicado.

Estudos expressam que as pessoas com excesso de peso podem experimentar dificuldades emocionais que não são mensuradas por testes psicológicos. Tais dificuldades podem se relacionar com questões específicas  como frustrações pelo excesso de peso ou solidão, devido ao abandono de amigos por não entenderem o seu problema, e que estas dificuldades podem acarretar alguns distúrbios emocionais.

Pensando sobre a questão do indivíduo obeso estar em contínuo sofrimento psíquico ao ter que enfrentar problemas como a frustração, o abandono, a solidão e a incompreensão, chega-se ao questionamento do porque o indivíduo continua com o comportamento de consumo exagerado de alimentos se é exatamente esse o motivo que desencadeia o seu sofrimento.

Tentando responder a questão acima é possível considerar o que Dalgalarrondo (2008), explica sobre a obesidade ser uma condição complexa no ser humano, e que na pessoa obesa existe uma disfunção dos mecanismos de saciedade e que o obeso não come de forma precipitada ou voraz, mas que ele come de forma continua enquanto houver comida disponível não sendo capaz de parar de comer.

Para Berg (2008), do ponto de vista psicológico, a obesidade é uma expressão física de um desajustamento emocional. Pessoas obesas podem utilizar a alimentação compulsiva como meio para lidar com seus problemas internos. Um perfil psicológico comum presente em muitos casos de obesidade inclui características como: auto-estima baixa, carência afetiva, insegurança, autopiedade, ausência de autocontrole, vergonha, não aceitação do problema, temor de não ser aceito ou amado, culpa, desamparo, intolerância, passividade e submissão, o que a pessoa pensa sobre si mesma e como internaliza a opinião alheia, entre outros.

Para Dalgalarrondo (2008), o obeso é descrito classicamente, do ponto de vista emocional como uma pessoa imatura e muito sensível a frustração, ou seja um indivíduo que recorre à comida como forma de compensação do afeto que carece e que sente que nunca recebe o afeto da maneira que merece.

Outro aspecto que o autor defende é que o obeso é alguém que tem sua sexualidade fortemente reprimida, ou que utiliza obesidade como defesa de seus impulsos sexuais, ou ainda um indivíduo que utiliza a obesidade como defesa contra a frustração e contra a exposição aos relacionamentos sociais. De um modo geral, os obesos têm a auto-estima muito baixa e sentem que as outras pessoas o desprezam.

Um ponto relevante para esta pesquisa é o fato de que os obesos têm dificuldade em gerenciar a fome e a distingui-la de sensações desagradáveis como desconforto, ansiedade. De um modo geral classifica qualquer mal-estar falsamente como fome, talvez por fazer a ligação da comida com o objeto que nutri e logo conforta as sensações desagradáveis, ao mesmo tempo que remete inconscientemente ao amparo materno.

Assim sendo o excesso de peso pode revelar um demasiado cheio que o sujeito vive como um vazio infinito.

Thais Martins Santos 
Psicóloga
CRP 04/24638  

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