Papel da atividade física no controle da hipertensão arterial em adultos

Cerca de 35% das mortes no Brasil, durante o período de um ano, são causadas por distúrbios no aparelho cardiovascular. Esses distúrbios se instalam na população por dois motivos principais: hereditariedade e maus hábitos. Esses dois motivos têm grande relação com o aparecimento de fatores de risco desencadeadores de doenças cardiovasculares e são eles: a hipertensão, colesterol alto, tabagismo, obesidade, o sedentarismo, o diabetes e o estresse.

O estilo de vida da população atual mudou muito em relação ao estilo de vida de nossos pais e avós. O estresse e a correria que vivemos no nosso dia-a-dia, fazem com que não tenhamos tempo para o ócio e o descanso, nos deixam ansiosos e sem tempo para cuidar da nossa saúde. Além disso, a tecnologia que vem solucionar alguns problemas de falta de tempo trazendo praticidade e comodidade a nossa vida, faz com que nos tornemos mais sedentários.

A falta de tempo para cuidar da saúde, para desfrutarmos de lazer, o estresse e o sedentarismo associados a uma má alimentação provocam grandes estragos na nossa saúde e aumentam a chance de adquirimos alguns fatores de risco para as doenças no aparelho cardiovascular. Ou seja, as perturbações que afetam o nosso sistema circulatório frequentemente acontecem em paralelo com eventos que ocorrem fora do corpo e que trazem conseqüências importantes para dentro do corpo.

E como alguns fatores de risco atuam favorecendo o aparecimento de doenças cardiovasculares?

A hipertensão: de acordo com o III Congresso Brasileiro de Hipertensão Arterial é definida como “uma entidade clínica multifatorial, conceituada como uma síndrome caracterizada pela presença de níveis tensionais elevados, associados às alterações metabólicas, hormonais e a fenômenos tráficos (hipertrofias cardíacas e vasculares)”. A hipertensão sobrecarrega o coração que precisa bater mais forte para que, ao bombear o sangue, esse vença a resistência aumentada dos vasos.

A Obesidade: atualmente pesquisas mostram que não é apenas o excesso de gordura que está associado ao risco de doenças cardiovasculares, mas também o local em que essa gordura se situa. Uma maior quantidade de gordura situada no abdômen em relação ao quadril aumenta o risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina, colesterol elevado, hipertensão e morte súbita (Obesidade centrípeta).

O Diabetes: pessoas com diabetes tem o dobro de chance de ter também a hipertensão em relação a pessoas não portadoras da doença. Além disso, o diabetes contribui para lesionar os vasos sanguíneos e para piora da circulação sanguínea.

O Estresse psicológico: conflito de opiniões, sentimentos, agressões, ansiedade podem, com o tempo, ocasionar aumento da pressão arterial. Em contrapartida, o riso tem um papel fundamental na redução dos hormônios na fisiologia do estresse e pode reduzir a dor, melhorar a imunidade e reduzir a pressão arterial.

Atividade física x hipertensão arterial

De acordo com o ACSM (Colégio Americano de Medicina do Esporte), indivíduos que praticam atividades físicas regularmente têm menor probabilidade de desenvolver doenças crônicas. E, indivíduos sedentários que passam a praticar atividades físicas apresentam subseqüente redução na mortalidade, melhoram as respostas pressóricas e aumentam sua longevidade.

A ação benéfica do exercício para a saúde está relacionada à sua capacidade de:

  • Combater o estresse emocional
  • Combater a obesidade (aumentando o gasto calórico e a taxa de metabolismo basal)
  • Combater o diabetes (aumentando a sensibilidade dos receptores das células que recebem a insulina e pelo estímulo ao metabolismo de carboidratos)
  • Redução da pressão arterial pela redução da sensibilidade dos vasos sanguíneos as catecolaminas (substâncias que aumentam a constrição nos vasos)
  • Redução das arritmias pela diminuição da sensibilidade do músculo cardíaco à ação adrenérgicas
  • Aumento dos níveis de HDL colesterol e redução dos níveis séricos de triglicérides

Em 1986, a World Health Organization e a Sociedade Internacional de Hipertensão concluíram que o aumento da atividade física diminui os riscos de doenças cardiovasculares e suaviza a hipertensão aumentando o bem estar e a expectativa de vida.

Agora, fique atento:

Exercícios isométricos não devem ser praticados por hipertensos, pois aumentam a pressão arterial a níveis elevados.

As melhores intensidades para praticar atividades físicas e se obter uma redução na pressão arterial  são aquelas entre 40 a 70 % do VO2 máximo.

Segundo Zanchetti et al (1996) fazer caminhadas diárias de 30 minutos com freqüência semanal entre 3 e 5 vezes são suficientes para reduzir pressão arterial, o excesso de peso e corrigir distúrbios metabólicos como por exemplo a resistência a insulina.

Escolha sempre exercícios que lhe trará prazer ao praticar.

Em obesos com hipertensão exercícios aeróbicos diminuem a pressão arterial independente da redução do peso.

Fonte: Atividade física para prevenção e controle da hipertensão arterial em adultos. Estudos, Goiânia, v. 33, n.7/8, p. 589-614, jul./ago. 2006.

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