Peixe e saúde cerebral

A doença de Alzheimer (DA) é uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversível que acarreta a perda da memória e diversos distúrbios cognitivos. Estima-se que 5% da população com idade em torno de 65 anos é afetada pela doença. À medida que a expectativa de vida torna-se mais elevada, tem-se observado um aumento da prevalência do Alzheimer e muitos estudos sugerem que quase metade da população com 85 anos apresenta sintomas relacionados à doença.

A causa específica desta doença ainda é desconhecida. No entanto, atualmente, um volume de evidências suporta a hipótese de que o peptídeo β-amiloide poderia ser a causa de lesões sinápticas e da morte neuronal, observadas nos estágios iniciais da doença. Os estudos indicam que a exposição das células ao peptídeo β-amiloide leva ao aumento do estresse oxidativo, produção de sinais pró-inflamatórios e, por fim, degeneração da célula neuronal.

Um estudo que analisou a frequência do consumo de peixe e o volume da massa cinzenta por um período de 10 anos. Os autores do estudo concluíram que as pessoas que consumiam peixe cozido ou grelhado, toda semana, tinham maiores volumes de massa cinzenta em diversas áreas do cérebro. Dessa forma, o risco para o desenvolvimento do Alzheimer foi reduzido em quase cinco vezes, de acordo com os pesquisadores.

Assim, outras pesquisas apontam que a presença do ácido docosahexaenoico (DHA), presente nos peixes, seria o grande responsável pela proteção contra a Doença de Alzheimer. O DHA, um ácido graxo da série ômega 3, é obtido a partir do ácido α-linolênico (ALA). Este é um componente crítico das membranas celulares do cérebro e da retina, onde está envolvido na função visual e neural, bem como metabolismo de neurotransmissores. Dessa forma, a ingestão de DHA segue sendo essencial para manutenção das funções cerebrais em condições normais, incluindo plasticidade sináptica, neurotransmissão e funcionamento visual.

Devido à falta de enzimas neuronais necessárias para a síntese de novo de DHA, este deve ser obtido diretamente da dieta ou sintetizado a partir do ácido α-linolênico. Esta síntese acontece principalmente no fígado e, em menor medida, no endotélio cerebral.

Analisando a redução do aporte de DHA na dieta de ratos, os cientistas observaram que houve uma diminuição da atividade sináptica e alterações no comportamento, enquanto que uma dieta enriquecida com DHA preveniu estes efeitos.
Tudo indica que o efeito neuroprotetor do DHA esteja associado às suas propriedades antioxidantes, ou seja, redução do estresse oxidativo e inflamação, ambos provocados pelo peptídeo β-amiloide.

Assim, em vista do crescente número de evidências, é fundamental que a população continue a ser incentivada a aumentar o consumo de pescados, especialmente aqueles fonte de ômega-3, como salmão, sardinha, atum e cavalinha.

Porém, o salmão, como qualquer outro peixe de médio e grande porte, possui contaminação por mercúrio, um metal tóxico para nosso organismo. Além disso, grande parte do salmão disponível para o consumo no Brasil é o de cativeiro, e não o selvagem que consome as algas presentes no fundo do mar, podendo apresentar menor quantidade de ômega-3. Para substituí-lo, uma ótima opção é a sardinha, que além de ser um peixe de tamanho pequeno, com menor risco de contaminação por mercúrio, tem quantidades de ômega-3 similares às do salmão. Outra opção seria uso de óleo de peixe ou de cápsulas de ômega 3 isentas de mercúrio.

Mais uma vez podemos afirmar que a dieta influencia, de maneira decisiva, na incidência e evolução de doenças crônicas.

Fonte – texto adaptado: www.vponline.com.br

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