Qualidade de vida e funcionamento cerebral

Que o ser humano está vivendo cada vez mais é fato inquestionável. E a previsão é que a cada década esta estimativa aumente. Falar em viver 100, 105 e 110 anos já não causa espanto, e muitos, além de desejarem essa marca, já trabalham a favor dela, cuidando da alimentação, praticando atividades físicas e atentos a cada novidade que possa colaborar para que este processo seja vivido com o máximo de qualidade de vida.

No entanto, ressaltamos que é preciso haver um equilíbrio entre os cuidados com o corpo e a mente, lembrando que esta vem despontando como promissora de uma melhor qualidade de vida, afinal, é necessário ter “mens sana in corpore sano” – mente sã, corpo são.

Um forte exemplo disto são os estudos que demonstram que os adultos maduros que praticaram atividades físicas ao longo da vida, ou durante vários anos consecutivos, são mentalmente mais ágeis que os sedentários. Ou, ainda, de que o engajamento em atividades físicas, entre outros benefícios para a saúde, pode retardar ou prevenir a demência em idosos.

Outro estudo mostra que os idosos que haviam praticado atividade física durante a vida – quando comparados aos idosos saudáveis, porém sedentários até então – tinham desempenho cognitivo significativamente melhor em todas as tarefas. Atuando junto a este público, a saúde mental se torna vital para uma vida mais feliz e autônoma. Isto engloba a melhora do estado emocional geral e a ativação das principais funções cognitivas, tais como: atenção, aprendizagem, memória e capacidade de tomar decisões.

Podemos afirmar que dois movimentos nunca deixam de acontecer do momento em que nascemos até nosso último suspiro, o aprendizado e a interação com os outros. A capacidade de adquirir conhecimento se torna mais apurada à medida que a atividade cerebral aumenta, portanto, além de melhorar as funções já citadas, ainda colabora para que novos conhecimentos sejam adquiridos.

Nosso cérebro é dinâmico, podendo se reorganizar de maneira flexível de acordo com necessidades e alterações sofridas. Um cérebro ocioso deixa de utilizar suas capacidades intelectuais, não por deterioramento, mas por enferrujamento, o que é possível reverter através de exercícios mentais, ou seja, da estimulação cognitiva. Através de tais exercícios ocorre uma melhora da função cognitiva geral levando à vivacidade mental, tornando mais lenta a degeneração de neurônios.

É esperado que, à medida que envelhecemos, apresentemos pior desempenho cognitivo em comparação a indivíduos mais jovens. Podem ser prejudicadas, por exemplo, a velocidade de percepção, a memória de trabalho, a memória explícita e o processamento de tarefas múltiplas, ou seja, a capacidade de desempenhar duas ou mais tarefas ao mesmo tempo. Ocorre, assim, um consistente declínio cognitivo na qualidade de execução das tarefas.

Porém, apesar dos evidentes efeitos nocivos durante o envelhecimento, pesquisas recentes indicam que intervenções como atividade mental e física podem minimizar – e até impedir – algumas dessas manifestações. O que, na verdade, se pararmos para pensar, Hipócrates já alertava há séculos atrás!

Desta forma, incluir esta prática de atividades mentais às motivações do dia-a-dia trarão tantos benefícios quanto a execução de exercícios físicos.

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