Quando o Comer deixa de ter uma função Nutricional e passa a ter função Emocional

Costumo dizer que o comer compulsivo é uma espécie de vício. Comer é prazeroso e, consequentemente, passível de se tornar um vício, já que qualquer fonte geradora de sensações agradáveis tem a possibilidade de gerar aumento em sua procura. Mas quando buscamos sensações agradáveis? A resposta é “sempre”. O ser humano age sobre o mundo produzindo efeitos positivos para si ou para o outro e evitando situações aversivas respectivamente para ambos. Basicamente é assim que nos comportamos; em busca de prazer ou evitando situações ruins.

As duas formas de se comportar são primordiais à nossa sobrevivência, promover situações agradáveis libera hormônios do prazer, o corpo fica relaxado, o sono é bom e nossas relações amenas. Da mesma forma, evitar uma situação adversa é fundamental para nossa existência como espécie; evitamos lugares perigosos, situações de risco, etc.

O problema está em como fazemos uso desses comportamentos e na definição pessoal do que é ser prazeroso e ser aversivo. Cada um tem sua forma de pensar e significar tais momentos, de acordo com suas experiências com os mesmos, sua história de aprendizado.

As pessoas que vêem na comida, por exemplo, uma fonte inerente de prazer, tiveram uma história e experiências em que esta foi tendo tamanha importância e estava sempre presente para fins de satisfação, e, muito provavelmente, uma das únicas e mais instantâneas formas de prazer. E daí se estabelece um vínculo disfuncional com a comida. Vínculos muito parecidos acontecem com dependentes químicos. É importante salientar que o vício em relação à comida às vezes é tão grave quanto uma dependência química, já que precisamos nos alimentar para sobreviver.

O objetivo da Psicologia, nesses casos, é “quebrar” esse vínculo ou “amenizá-lo” ou até mesmo “ressignificá-lo” junto com o cliente (ou seja, que a comida retome ao seu papel fisiológico de apenas nutrir o corpo) para que ele possa primeiramente, perceber a necessidade da mudança, depois, entender como tal vínculo se estabeleceu, e, por último, trabalhar na busca de soluções mais funcionais para seu problema; criar estratégias de enfrentamento e autocontrole; encontrar novas fontes de prazer; etc. Obviamente, os benefícios de um acompanhamento psicológico acabam abrangendo outras áreas da vida do cliente. Em casos de vínculos alimentares disfuncionais, este tipo de acompanhamento é primordial.

Se você já fez inúmeras dietas e procedimentos para emagreceu, todos eles com resultados momentâneos ou pouco eficazes, se já procurou um médico e descobriu que não há nada em seu organismo que te impeça de perder peso, então, pode ser que a sua dificuldade esteja em você mesmo (a). Procure um Psicólogo, ele te ajudará a entender esse processo. Fica a dica.

Iana Pechir

Psicóloga Clinlife

CRP: 04/35355

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