Relaxar pode ser terapêutico

Nos últimos tempos vários autores, tem validado a utilidade da indicação do relaxamento na terapêutica de uma série de doenças psicológicas e somáticas. Entende-se que por  “resposta de relaxamento” o que está nomeando  um estado  psicofisiológico de hipoexcitação que pode ser produzido por uma série de técnicas tais como meditação, hipnose, respiração profunda, biofeedback, relaxamento muscular, música etc.

 Por anos tem se utilizado com bastante sucesso o relaxamento, físico e mental, como um procedimento coadjuvante no tratamento do stress excessivo e de suas consequências.   Uma das razões do sucesso se deve provavelmente ao fato de que o stress propicia o aparecimento de   distúrbios de excitação e o relaxamento produz uma condição antagônica, o que, consequentemente, faz com que o organismo  experiencie um estado de maior quietude. Durante o processo de relaxamento o organismo vivencia  temporariamente um estado de hipoexcitação que  oportuniza ao organismos  readquirir a homeostase necessária à vida.

A literatura aponta que muitas doenças tem por base comum uma hipersensibilidade neurológica do sistema límbico, ou seja, um limiar de excitação baixo.  Esta hipersensibilidade é capaz de dar origem a uma série de doenças relacionadas ao stress, tais como distúrbios de ansiedade e de adaptação, hipertensão arterial essencial,  úlceras, psoríase etc.

 Gelhorn(1965)  sugere que a estimulação que é muito intensa ou que é repetida cronicamente  pode levar a um hiperfuncionamento do  sistema  nervoso simpático, responsável  pela quebra da homeostase interna do organismo, devido a liberação das catecolaminas. Deste modo, as doenças relacionadas ao stress teriam em sua etiologia os seguintes fatores patogênicos:(1) aumento na atividade adrenérgica, 2) aumento na excitação neuromuscular, e (3) excitação repetitiva de origem cognitiva.

 Partindo-se deste pressuposto, torna-se razoável  deduzir que qualquer intervenção terapêutica direcionada para o stress, deve objetivar,  dessensibilizar neurologicamente e reduzir a atividade global dentro do circuito límbico. Intervenções estas que precisam visar as seguintes estratégias:  (1) redução da responsividade adrenérgica, (2) redução na excitação neuromuscular e (3) redução da excitação cognitiva. A resposta de relaxamento preenche tais necessidades, pois se constitui em um esforço geral para diminuir a excitabilidade do organismo. Gelhorn afirma que o relaxamento produz uma redução da descarga hipotalâmica-cortical e produz um estado de hipo-excitabilidade. Taylor (1978) sugere que o relaxamento diminui a excitabilidade do sistema nervoso central e Everly(1980) afirma que o relaxamento produz  uma dessensibilizarão do sistema límbico.

 Não só na área física, mas também na mental, o relaxamento produz mudanças, tais como a sensação de calma mental, de estar em controle da situação e de auto-eficácia.

 Assim sendo, as pesquisas indicam que o relaxamento não se constitui em uma técnica simples. Ele deve ser bem entendido a fim de ser utilizado adequadamente, considerando–se as diferenças individuais  ao se programar a utilização do relaxamento para fins terapêuticos.

O stress é hoje reconhecido no Brasil e no mundo como sendo um fator presente na origem  de uma série de doenças, porém quando ele é gerenciado de modo adequado, seus efeitos podem ser benéficos ao organismo.

Thais Martins Santos

Psicologa da Clinlife  

CRP 04 24 638

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